O advogado lulista Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, afirmou ontem (20) que parte da Polícia Federal (PF) é “bolsonarista” e quer “ganhar a eleição no tapetão” ao investigar o filho de Lula (PT). De acordo com Carvalho, as investigações abertas recentemente têm o objetivo de atingir a campanha de reeleição do petista.
“Temos um quebra-cabeça de ilações de parte da PF que está sendo instrumentalizada, porque quer ganhar a eleição no tapetão. Porque, no voto, a oposição não ganha, porque não tem um projeto para o país”, disse o advogado do Prerrô em entrevista à GloboNews.
As declarações foram dadas após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que um dos inquéritos contra Lulinha seja remetido à 1ª instância.
Carvalho também acusou a PF de estar dividida por “ódio e intolerância” e afirmou que haveria, dentro da corporação, um grupo de delegados e agentes alinhados ao bolsonarismo que estaria conduzindo as investigações a partir de conclusões previamente estabelecidas.
“Temos um grande grupo de delegados e agentes bolsonaristas, que querem continuar começando o processo pelo fim: atirando a flecha para depois pintar o alvo, querem condenar sem provas, sem nem sequer um indício”, afirmou.
O advogado do Prerrô disse que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, seria uma “vítima” desse cenário e criticou os vazamentos “clandestinos e criminosos” de informações sobre o caso. “Queremos saber quem são esses agentes do Estado [que teriam vazado informações], que devem ser mandados embora do serviço público, que estão comprometendo as investigações”, declarou.
Carvalho disse ainda que, “se o Fábio Luís não fosse filho do presidente [Lula], se fosse com qualquer outra pessoa, esse inquérito teria sido arquivado”. De acordo com ele, o empresário “carrega o peso de um sobrenome”.
Ele mencionou a investigação sobre a suposta interferência de Bolsonaro na PF. Contudo, a própria corporação disse não ver irregularidade na atuação do ex-mandatário.
“Se ele [Lulinha] fosse filho do presidente Bolsonaro, sobretudo no governo Bolsonaro, [o inquérito] nem sequer teria sido instaurado. O Bolsonaro mudou superintendentes da Polícia Federal para proteger seus filhos, para proteger o ‘01, o 02, o 03 e o 04’, sua família, primos e afins, seus amigos e os milicianos com os quais ele governou o país. Essa é a realidade”, disse o advogado lulista.
Carvalho afirmou também, na entrevista, que tem “respeito e carinho” pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, relatores dos inquéritos envolvendo Lulinha, e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas afirmou que eles seriam “vítimas do aparelhamento” das instituições, que, segundo ele, “fragiliza” a democracia brasileira.
Lula é alvo de três inquéritos no Supremo por tráfico de influência: dois sob relatoria de André Mendonça e um sob relatoria de Flávio Dino. O 1º foi autorizado por Mendonça em 30 de julho e apura suspeitas relacionadas ao Ministério da Saúde. Segundo a PF, Lulinha teria atuado em favor de interesses ligados ao “Careca do INSS”.
No dia seguinte, o magistrado autorizou a abertura de um 2º inquérito, que investiga se Lulinha teria favorecido empresários interessados em negócios com a Dataprev.
Já o 3º inquérito, sob relatoria de Dino, envolve a empresa de tecnologia 3Structure It LTDA. A companhia possui contratos de R$ 50 milhões com o governo federal e pertence a um amigo de Lulinha.