A empresa MChecon Design e Cenografia, de Marcelo Checon, fechou 13 contratos com o governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. Os acordos somam R$ 63,4 milhões. A apuração é do Metrópoles.
Checon é citado por Roberta Luchsinger em uma mensagem recuperada pela Polícia Federal. Na conversa, a lobista relata que Lulinha teria dito que passaria a pedir ajuda financeira a Cleber Ribas e ao empresário.
“Vou ficar pedindo pro Cleber (Ribas) e para o Checon”.
Segundo dados do Portal da Transparência, os contratos da MChecon com o Executivo federal firmados após a posse de Lula, em janeiro de 2023, totalizam R$ 63.406.954,74. Com os pagamentos realizados durante o atual governo, o montante chega a R$ 84,2 milhões.
Antes de 2023, a empresa tinha apenas um contrato com o governo Lula. O acordo, de R$ 197 mil, foi firmado em maio de 2022 com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
A MChecon atua na produção de eventos, cenografia e montagem de estruturas. Entre os trabalhos realizados para o governo estão a Casa Brasil em Belém, durante a COP30, e a Casa Brasil em Paris, nos Jogos Olímpicos de 2024.
Contratos com ministérios
A empresa mantém contratos principalmente com os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Turismo (MTur), da Cultura (MinC) e do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Os principais acordos têm valor de R$ 8,74 milhões.
Também foram firmados contratos de menor valor com o Ministério da Educação (MEC), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Presidência da República.
Segundo dados da Receita Federal, a MChecon existe desde 2012.
Mensagem cita despesas com Lulinha
A conversa entre Roberta Luchsinger e Cleber Ribas ocorreu em 25 de agosto de 2025. Na ocasião, a lobista afirmou que gastava cerca de R$ 100 mil por mês para manter “a casa”.
Na troca de mensagens, Roberta relatou que havia informado Lulinha de que não poderia mais custear suas passagens aéreas. Segundo ela, o filho do presidente teria respondido que buscaria ajuda com Ribas e Checon.
“Se você souber o que que o outro disse, eu fui cortar o negócio, né? Daí eu falei: ‘Ó, Fábio, agora acabou, porque a casa, por mês, a gente gasta em torno de [R$] 100 mil. Então, assim, não vai dar mais pra ter essas passagens, né?’. Ele falou: ‘Ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e pro Checon’. Eu ri pra caramba. Eu falei: ‘Ué, boa sorte pra você’”
O trecho corresponde à transcrição de um áudio enviado por Roberta a Ribas. A mensagem foi obtida pela PF e revelada inicialmente pelo O Estado de S. Paulo.
O conteúdo da conversa não comprova, por si só, que Checon tenha efetivamente pago passagens ou outras despesas de Lulinha.
O empresário foi procurado por telefone e por mensagens, mas não havia respondido até a publicação do material. O espaço permanece aberto para manifestação.