Seis postos de combustíveis foram fechados nesta sexta-feira (28) em São Paulo e 1.283 CNPJs, além de 228 inscrições estaduais, foram tornados inaptos durante a Operação Bomba Oculta, desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada há um ano.
A ação mira estabelecimentos que continuavam a comprar e comercializar combustíveis mesmo após perderem autorização para funcionar. Segundo as investigações, parte das empresas utilizava CNPJs ainda ativos e registros em nome de terceiros para ocultar os responsáveis pelas operações.
A operação reúne cerca de 57 servidores da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A Polícia Civil de São Paulo também participa da ofensiva.
CNPJs serão declarados inaptos
A declaração de inaptidão impede a emissão de documentos fiscais eletrônicos e impõe restrições cadastrais às empresas. A medida também pode bloquear contas bancárias vinculadas aos estabelecimentos.
A ação ocorre após a publicação da Instrução Normativa RFB nº 2.340, em 24 de agosto. A norma ampliou as situações em que um CNPJ pode ser declarado inapto, inclusive com base em informações encaminhadas por órgãos reguladores.
Segundo as autoridades, o mecanismo permite atingir empresas que continuam funcionando mesmo sem as autorizações necessárias.
Desde 2019, a ANP revogou a autorização de funcionamento de pelo menos 10 mil postos. Parte desses estabelecimentos, segundo os investigadores, continuou operando de forma clandestina.
Investigação aponta atuação do crime organizado
A Operação Bomba Oculta é uma nova etapa das apurações iniciadas com a Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025.
A investigação identificou a atuação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em diferentes pontos da cadeia de combustíveis. O esquema teria utilizado postos, distribuidoras e refinarias para movimentar recursos e ocultar patrimônio.
A Receita Federal afirmou:
“O crime organizado se infiltrou em toda a cadeia de combustíveis nacional, atuando desde a importação e a produção chegando até os postos revendedores. Devido à grande pulverização da cadeia, com mais de 130 mil agentes, o setor virou um importante instrumento para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, além de sonegação contumaz e adulteração de combustíveis”
Na Carbono Oculto, cerca de 1.000 postos vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. A investigação também aponta R$ 7,6 bilhões em tributos sonegados.
Uma fintech utilizada pelo esquema teria movimentado sozinha R$ 46 bilhões no período investigado.
Postos continuavam ativos após perda de autorização
Segundo a investigação, empresas que tiveram o funcionamento revogado pela ANP mantinham os CNPJs ativos para continuar atuando no mercado.
Os estabelecimentos podiam comprar e comercializar combustíveis apesar da perda da autorização. Em vários casos, os postos estavam formalmente registrados em nome de terceiros, apontados pelos investigadores como possíveis laranjas.
A apuração aponta que o crime organizado teria se infiltrado desde a importação e produção até a distribuição e venda ao consumidor.
Além da lavagem de dinheiro, as investigações identificaram suspeitas de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis, crimes ambientais e fraude.
Carbono Oculto
A operação deflagrada em agosto de 2025 mobilizou cerca de 1.400 agentes e teve como alvos mais de 350 pessoas físicas e jurídicas em oito Estados.
Segundo as investigações, os recursos obtidos com as atividades ilícitas eram movimentados por empresas do setor, instituições financeiras e fundos de investimento. A estrutura teria sido usada para dificultar a identificação dos beneficiários e a origem dos valores.
A nova operação busca interromper a atividade de postos que, segundo as autoridades, permaneceram no mercado mesmo sem autorização legal.