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Gonet pede arquivamento de denúncia em que Vorcaro diz querer delatar ‘atual governo’

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ontem (02) o arquivamento das denúncias feitas por Daniel Vorcaro sobre ameaças que afirma ter sofrido na prisão para não firmar um acordo de delação premiada. As declarações foram dadas pelo banqueiro no gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master, durante oitiva na última quinta (27).

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Em depoimento prestado à equipe do ministro e obtido pelo jornal O Estadão, Vorcaro afirmou que pretende delatar integrantes do “atual governo” de Lula (PT) e que mencionaria na colaboração uma viagem realizada com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O banqueiro, porém, não apresentou detalhes nem indicou provas sobre a relação.

Gonet, no entanto, afirmou que Vorcaro não apresentou “qualquer sinalização de potencialidade probatória ou vício de vontade a justificar a renovação da proposta negociada”. O PGR, citado anteriormente em diálogos do banqueiro, que chegou a dizer que sentia “saudades” dele, afirmou no parecer que “do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias”.

O procurador-geral também afirmou que o ‘relato urgente’ de Daniel Vorcaro não apresentou “mínimo elemento de verossimilhança”.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar. Eu pretendia…. Na minha opinião, os fatos estão tão diferentes da realidade, doutor, que só a verdade hoje vai me libertar. Então, eu quero muito, desde… tem alguns meses que eu quero falar a verdade. Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei. Porque eu não era a pessoa e nem os fatos que estão sendo relatados ali. E envolve todo esse núcleo. E eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso não aconteceu, desde o começo, com a polícia”, teria afirmado Vorcaro.

Questionado pela equipe de Mendonça sobre os fatos envolvendo o diretor-geral da PF, o banqueiro afirmou que Andrei “viajou para eventos comigo” e que mantinha uma relação com ele anterior às investigações da Operação Compliance Zero. Vorcaro não detalhou as viagens nem informou se elas foram custeadas pelo Banco Master.

O banqueiro também afirmou que os delegados da PF responsáveis pelas negociações da delação premiada não demonstraram interesse na proposta:

“Não estou acusando a Polícia Federal. Eu só acho que, pela sensibilidade dos fatos, pelas pessoas que estão envolvidas, pelos interesses políticos, pelas relações do sistema e da política atual que estão envolvidas nesse caso, no modelo tradicional, no modelo atual, as pessoas envolvidas, não vai ser possível fazer a colaboração”.

Vorcaro ainda criticou a condução do caso pela PF e mencionou supostos vazamentos seletivos à imprensa:

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”.





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