Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma nova crise envolvendo a Polícia Federal, o ministro da Corte Gilmar Mendes acompanha a turbulência a milhares de quilômetros de Brasília. O decano está na Itália, onde participa do casamento da filha do empresário Marcos Molina, controlador da Marfrig/BRF e presidente do conselho da MBRF. As informações são do site Fatos Online.
Nesta terça-feira (8), Gilmar pediu vista no julgamento que analisa o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro alegou, entre outros pontos, que teve pouco tempo para analisar o processo e apontou “risco de decisões conflitantes”.
A Segunda Turma já havia formado maioria para manter os afastamentos, com votos de André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O pedido de vista interrompeu a análise.
Crise em Brasília, casamento na Itália
Enquanto o julgamento movimentava o STF, Gilmar foi fotografado ao telefone durante o casamento realizado às margens do Lago di Como, no luxuoso hotel Villa d’Este.
A cena contrasta com o momento vivido pela Corte. Em Brasília, a decisão de Mendonça provocou reação dentro da Polícia Federal e abriu uma disputa sobre os limites da atuação da própria Corte.
Gilmar, mesmo fora do país, entrou diretamente na discussão. Ao pedir vista, questionou a competência da Segunda Turma e indicou que o caso pode precisar ser analisado pelo plenário.
O ministro também citou a proximidade das eleições e afirmou que a decisão deve ser examinada à luz do entendimento do STF sobre “paridade de armas” na disputa eleitoral.

De olho no incêndio
O afastamento de Andrei foi determinado por Mendonça após o ministro afirmar ter sido alvo de “monitoramento sistemático” pela estrutura de inteligência da PF. Na decisão, classificou o episódio como “verdadeira arapongagem institucional” e determinou uma investigação sobre a produção dos relatórios.
Agora, o caso está suspenso na Segunda Turma. A decisão de Mendonça, porém, continua valendo.