O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem depoimento marcado na Polícia Federal na terça-feira (15). A oitiva apura supostas fraudes envolvendo operações financeiras do Banco Master e créditos repassados ao Banco de Brasília (BRB).
A defesa de Vorcaro deve pedir o adiamento do depoimento. Os advogados alegam que ainda não tiveram acesso à íntegra dos documentos e laudos que integram as investigações.
A oitiva ocorrerá no mesmo dia em que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) fará uma sessão extraordinária para analisar as 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento definirá se será aberta uma investigação formal sobre o conteúdo das conversas.
A sessão foi convocada pelo presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin. O relatório da Polícia Federal identificou mensagens entre Vorcaro e Moraes enviadas entre o fim de outubro e meados de novembro de 2025, antes da primeira prisão do ex-banqueiro.
O depoimento ocorre ainda após a divulgação de perícias que ampliaram as suspeitas sobre operações envolvendo o Master e o BRB.
Segundo laudo da PF tornado público pelo ministro André Mendonça, relator dos principais inquéritos do caso no STF, há indícios de irregularidades na cessão de R$ 7,15 bilhões em carteiras de crédito da Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos e Participações para o Banco Master, entre 2024 e 2025.
A perícia apontou que a Tirreno não apresentava capacidade operacional compatível com o volume das operações. Os registros também apresentavam padrões atípicos de repetição de valores e contratos.
Os peritos não encontraram evidências de que o Master tenha realizado o pagamento efetivo pelas cessões. A única conta bancária da Tirreno no sistema financeiro foi aberta em maio de 2025, depois das operações, e não registrou movimentações.
Posteriormente, os direitos creditórios foram transferidos para o BRB.
Rombo no BRB
A administração do BRB estima em R$ 8,8 bilhões o valor dos títulos do Master considerados inexistentes, fraudados ou de difícil liquidação.
O banco apresentou ao Banco Central um plano de capitalização para recompor o patrimônio. Entre as medidas previstas estão uma operação de R$ 6,6 bilhões intermediada no STF e a venda de carteiras de ativos para fundos de investimento. As iniciativas ainda enfrentam questões regulatórias.
As investigações da Operação Compliance Zero também resultaram em bloqueios de bens de Vorcaro e na prisão preventiva de ex-gestores do banco estatal.
Grupo tinha acesso a investigações
Relatórios da PF também apontam a atuação de um grupo ligado a Vorcaro chamado “A Turma”. A organização era chefiada por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
Segundo os investigadores, integrantes do grupo violavam sistemas restritos para obter informações antecipadas de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da própria PF.
As mensagens interceptadas indicam que credenciais funcionais de servidores públicos eram utilizadas para acompanhar apurações relacionadas ao Banco Master, ao BRB e a Vorcaro.
Em julho de 2025, diálogos apontaram que Vorcaro teria determinado um levantamento sobre as investigações. A apuração indica que o grupo conseguiu acesso antecipado a um documento do MPF que posteriormente deu origem à Operação Compliance Zero.