Home Nóticias Caso ‘Dark Horse’: Perícia devolveu 18 itens apreendidos por falhas em lacres

Caso ‘Dark Horse’: Perícia devolveu 18 itens apreendidos por falhas em lacres

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O Instituto de Criminalística de São Paulo recusou o recebimento de pelo menos 18 aparelhos eletrônicos enviados para perícia no âmbito da investigação do caso ‘Dark Horse. 4 pen drives, 5 celulares e 9 notebooks apresentavam falhas na lacração que, segundo os documentos, poderiam permitir o acesso aos equipamentos sem o rompimento dos lacres.

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A informação consta em relatórios que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que tenta misturar um suposto desvio de emendas parlamentares com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retirou o sigilo ontem (13). Ao todo, os documentos somam 4.618 páginas.

As falhas foram apontadas porque algumas embalagens permitiam acesso ao conteúdo dos aparelhos sem a violação dos lacres de segurança. A irregularidade poderia comprometer a cadeia de custódia, conjunto de procedimentos destinado a preservar a integridade e a rastreabilidade de vestígios durante uma investigação.

Em um dos termos de recusa, o Instituto de Criminalística registrou que as guias de remessa apresentavam um vão suficiente para a introdução de um cabo de alimentação e para a transferência de dados. A abertura, segundo o documento, permitia acessar os equipamentos sem romper o lacre, comprometendo a garantia de inviolabilidade do material.

O termo foi assinado pela perita criminal Viviane Freitas Menezes, do Núcleo de Apoio Administrativo do Instituto de Criminalística, e protocolado em 3 de junho de 2026.

Outro documento, intitulado “Termo de recusa de recebimento – insuficiência de lacração do invólucro”, aponta uma falha no fechamento de uma das embalagens plásticas. Embora o lacre numérico de segurança estivesse fechado e com a numeração preservada, o invólucro havia sido dobrado de forma a permitir acesso à peça sem a necessidade de romper o lacre.

Fotografias anexadas ao termo mostram a abertura na embalagem. Conforme o documento, o espaço permitia a introdução física de objetos ou outros vestígios no interior do invólucro. Após a recusa, os aparelhos foram devolvidos para a readequação das embalagens.

Certidão assinada pelo escrivão de polícia Mauro Sergio Gagliotti, em 8 de junho de 2026, registra a necessidade de readequar os invólucros e instalar novos lacres para preservar a integridade dos objetos e a cadeia de custódia.

Concluído o procedimento, os equipamentos foram novamente encaminhados ao Instituto de Criminalística. Eles permaneceram no local até 23 de julho, quando aguardavam análise. Segundo documento anexado ao processo, a demora ocorreu em razão do “elevado volume de casos e à consequente fila de exames pendentes sob responsabilidade deste perito”.

Os documentos não informam se a Polícia Civil verificou a integridade dos aparelhos após as falhas nas embalagens ou se houve eventual acesso aos equipamentos antes da correção dos lacres. Os registros disponíveis indicam apenas que os dados dos aparelhos foram extraídos e disponibilizados à delegacia responsável pela investigação.

O material integra o inquérito da Polícia Civil de São Paulo compartilhado com a PF por determinação de Dino. Os aparelhos foram apreendidos em 1º de junho, durante operação em residências e empresas relacionadas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Gama. Ela também é responsável pela Go Up Entertainment, produtora do filme.

A operação investiga suspeitas de fraude em um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB para a instalação de pontos de wi-fi gratuito na cidade. A apuração também busca verificar se parte dos recursos teria sido desviada para financiar a produção de ‘Dark Horse’.





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