Alexandre de Moraes nos toma por idiotas. Não sei se é arrogância ou estupidez, mas o libelo que escreveu em sua defesa e com ataques a André Mendonça é uma peça incompleta. Se sobram ilações contra o colega evangélico, faltam explicações sobre as mensagens que trocou com Daniel Vorcaro, a sociedade que manteve num jatinho e num helicóptero, os honorários de Viviane Barci muito acima do mercado, a edição do contrato em seu computador e, claro, as reuniões privadas e hospedagens luxuosas às custas do banqueiro.
O ministro que conseguiu viver da narrativa de defesa da democracia não convence, nunca convenceu. Seu status foi uma concessão do sistema midiático-financeiro que queria ver Jair Bolsonaro preso. A esquerda mesmo o odeia e, no fundo, está feliz de se ver livre dele, caso o STF decida hoje investigá-lo e afastá-lo do cargo. Talvez a arrogância somada à estupidez tenham feito Moraes acreditar na própria ilusão, nos afagos de advogados súditos da Corte e nos aplausos de uma plateia domesticada pelo medo ou pela conveniência.
Sem amigos, Moraes vai perceber em breve que também nunca teve apoio popular, nem direto ou indireto. Sua indicação para o Supremo, ressalto, foi fruto do acaso de um impeachment e Michel Temer, seu padrinho, tampouco chegou ao poder por mérito próprio. Seu mandato de ministro, portanto, tem baixíssima legitimidade, ao contrário de Mendonça, um líder religioso indicado pelo presidente mais popular da história recente. Se Moraes acha que proferir mentiras e impropérios contra Mendonça é o suficiente para isentá-lo do escrutínio, é bom se preparar.
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