O programa ALive desta quarta-feira (16) abordou a censura imposta pela Justiça Eleitoral à campanha da cientista política e candidata a deputada distrital Júlia Lucy (PL). A decisão impede a candidata, o partido e a Coligação Propósito e Ação de voltar a veicular uma propaganda eleitoral sobre pessoas trans.
A retirada da peça ocorreu após pedidos da esquerda. A propaganda foi exibida em 31 de agosto, durante o horário eleitoral gratuito. Na gravação, Júlia afirmava: “Não existe a possibilidade de homem virar mulher. O errado nunca vai ser certo. Vou enfrentar as Mônicas Hilton. Júlia Lucy, 22190”.
Durante o programa, a cientista política criticou a censura contra ela e afirmou que existe uma “violência ao processo democrático em si” no seu caso.
“Quando um juiz limita o que um candidato pode falar, ele passa a tutelar a campanha política, ele passa a dizer aquilo que pode ou não ser dito e, em momento nenhum, nenhum juiz obteve esse direito e esse papel da Constituição brasileira”, afirmou Lucy. “Pelo contrário, a nossa Constituição, ela garante a liberdade de pensamento, a liberdade de manifestação, vedado o anonimato, ela garante o pluralismo de ideias e isso é democracia, esses são os pilares da democracia”.
“Então, quando um partido, que no caso é o PSOL, se acostuma a amordaçar, a vencer no tapetão, porque o PSOL é isso, quando ele perde no Congresso, ele leva a disputa para o Supremo, quando alguém fala algo que contraria a agenda woke deles, eles vão contra essa pessoa, elas pregam a censura, elas não querem que essa pessoa continue tendo as suas ideias espalhadas, mas também querem que essas pessoas sejam presas”, continuou.
Lucy disse também que está “vivendo na pele” a perseguição promovida pela esquerda identitaria: “Eu tenho poucos dias para me comunicar com os eleitores dE Brasilia, para mostrar para os eleitores de Brasília que eu penso isso, que sexo se dá pelo nascimento, pela biologia, e eu como mulher não posso aceitar que o conceito de mulher venha a ser relativizado, porque se não, todo um conjunto de proteções que foram alcançadas, que foi alcançado por nós nos últimos séculos, esse conjunto acaba”.
Ainda na visão da cientista política, é “triste ver mulheres que se declaram feministas caírem nesse conto” da esquerda identitária pró-trans e desvalorizando as mulheres biologicas “porque hoje há feministas no DF que querem me ver presas, me ver presa, e gravam vídeo, e querem, e estão ali provocando, fizeram denúncia criminal contra mim”.
“Tudo isso porque eu estou querendo garantir que eu, a minha filha e as mulheres do DF não sejam constrangidas a compartilharem espaços que a nós foi garantido, como espaço de segurança, espaço de privacidade, porque há uma corrente que prega que uma autoimagem deve prevalecer a despeito do determinismo biológico”, continuou.
Lucy finalizou dizendo que a situação é “grave” e critica e que está “reinvidicando” o direito de ter sua propaganda novamente no ar, pois não cometeu crime nenhum: “Eu não incitei o ódio. Muito pelo contrário, eu deixei muito claro a minha posição política, que é a da maioria das pessoas hoje no DF. É uma violência que eu sofro, mas na realidade é uma violência em relação ao processo democrático em si”.
“Aqueles que se dizem defensores da democracia são os que provocam a morte da democracia porque não aceitam o debate”.