A campanha do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma propaganda de Lula (PT) que, segundo a representação, faz uma montagem ao combinar o discurso do petista na Organização das Nações Unidas (ONU) com imagens de uma ovação recebida pelo secretário-geral da entidade, António Guterres. As informações são do jornal O Globo.
A peça publicitária intercala trechos do pronunciamento de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU com imagens da plateia aplaudindo de pé. A campanha de Flávio sustenta que a edição cria a impressão de que aquelas imagens seriam uma reação ao discurso do presidente brasileiro.
De acordo com a transmissão oficial do evento, Lula recebeu aplausos ao terminar sua fala, mas a maioria dos presentes permaneceu sentada. A ovação de pé ocorreu posteriormente, após o último discurso de Guterres à frente da organização. O mandato do secretário-geral termina em dezembro.
Campanha acusa edição de distorcer a sequência
Na representação apresentada ao TSE, os advogados de Flávio classificam o material como uma “montagem constrangedora” e sustentam que a edição altera a compreensão das imagens originais.
A campanha afirma que a propaganda utiliza a repercussão de um terceiro em um evento internacional para produzir uma percepção de prestígio que, segundo os advogados, não corresponderia ao que ocorreu durante o discurso de Lula.
A peça também é classificada pela defesa como “fabricada”. Os advogados pedem que o TSE determine a interrupção da veiculação do conteúdo e comunique as emissoras de televisão para que deixem de transmiti-lo.
Pedido de suspensão e multa
Além da retirada imediata da propaganda, a campanha de Flávio pede ao TSE que, no julgamento do mérito, Lula seja multado pela suposta irregularidade eleitoral.
A representação foi apresentada após a veiculação da peça na quinta-feira (24). O caso agora será analisado pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar o conteúdo da propaganda, a edição utilizada e se houve violação das regras eleitorais.
O TSE já estabeleceu, para as eleições de 2026, critérios específicos para conteúdos manipulados em propaganda eleitoral. A Corte diferencia, entre outros pontos, conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial de outras formas de edição e determina que a análise considere o contexto e a natureza do material divulgado.