As empresas brasileiras passaram a projetar uma inflação mais alta e um crescimento menor da economia em 2027, segundo a nova edição da Pesquisa Firmus, divulgada nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central. O levantamento também aponta deterioração na percepção sobre a situação econômica, aumento das expectativas para custos e piora na disponibilidade de crédito.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2027 subiu de 4% para 4,5% entre as duas últimas rodadas da pesquisa. Para 2026, a estimativa permaneceu em 5%, enquanto a previsão para 2028 continuou em 4%.
Na atividade econômica, houve movimento diferente entre os dois próximos anos. A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 avançou de 1,8% para 1,9%. Para 2027, porém, recuou de 1,8% para 1,5%.
Percepção sobre a economia piora
O indicador que mede a avaliação das empresas sobre a situação econômica do país caiu de 75,5 pontos, em maio, para 58,2 em agosto. Na metodologia do BC, 100 pontos representam uma percepção neutra. Resultados abaixo desse patamar indicam predominância de avaliações negativas.
Entre as companhias consultadas, 48,3% classificaram o cenário econômico como discretamente negativo e 24,3% como fortemente negativo. Outros 15,6% consideraram a situação neutra, enquanto 11,9% apresentaram uma avaliação positiva.
A percepção sobre o desempenho dos próprios setores também piorou. O índice que compara a expectativa de crescimento dos segmentos empresariais com a expansão do PIB nos próximos 12 meses caiu de 110,6 para 104,1 pontos, atingindo o menor nível da série histórica. Apesar do recuo, o indicador ainda permaneceu acima do nível considerado neutro.
Custos e câmbio
As empresas também passaram a esperar custos maiores nos próximos 12 meses. A expectativa para a alta das despesas com mão de obra subiu de 4,9% para 5,2%. Quase 60% das companhias projetam aumento entre 4% e 6%.
A previsão para os custos com insumos também avançou, de 5% para 5,2%. Já a expectativa de reajuste dos preços dos próprios produtos perdeu força depois da alta registrada na pesquisa anterior.
No câmbio, a tendência de cinco quedas consecutivas foi interrompida. A mediana para o dólar nos próximos seis meses passou de R$ 5,15 para R$ 5,20. Na média das estimativas, a projeção avançou de R$ 5,14 para R$ 5,27.
Crédito disponível recua
A percepção sobre a oferta de crédito também se deteriorou pelo segundo trimestre consecutivo. O indicador caiu de 92,7 pontos, em maio, para 89,3 em agosto, permanecendo abaixo do nível neutro.
A parcela de empresas que considerou a oferta de crédito pior do que no trimestre anterior aumentou de 24,4% para 28,8%. Desse grupo, 19,8% classificaram a redução como discreta e 9% como forte.
Já 14% das companhias perceberam melhora na oferta, ante 14,9% na rodada anterior. A maior parte, 57,3%, afirmou que as condições permaneceram inalteradas.
Pesquisa
A edição do terceiro trimestre da Firmus ouviu 379 empresas não financeiras entre 10 e 28 de agosto, 30 companhias a mais do que na rodada anterior. O levantamento reúne expectativas do setor produtivo para atividade econômica, inflação, câmbio, custos, crédito e desempenho dos próprios segmentos.