Cidadãos estrangeiros do Brasil, de Gana e da Libéria foram flagrados votando ilegalmente nas eleições de 2022, 2024 e nas primárias de 2026, de acordo com acusações do Departamento de Justiça (DOJ) anunciadas hoje pelo procurador-geral Todd Blanche.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que um grande júri federal indiciou separadamente 10 estrangeiros em 24 de setembro por crimes eleitorais em Minnesota. Todos já compareceram inicialmente à Justiça federal. As acusações envolvem voto ilegal por não cidadãos e, em alguns casos, falsa declaração de cidadania para obter uma cédula.
Entre os acusados está o brasileiro Aparecido Donizetti Padovan, de 62 anos, residente permanente legal nos Estados Unidos. Segundo a acusação, ele teria votado ilegalmente em Minnesota em 5 de novembro de 2024 e declarado falsamente ser cidadão norte-americano para votar. Padovan compareceu à Justiça em 29 de setembro.
Também foram acusados cidadãos da Libéria, Gana, Lituânia, Alemanha, Bósnia, Canadá e África do Sul. Todos são residentes permanentes legais nos Estados Unidos, segundo o Departamento de Justiça.
O caso envolve eleições gerais de novembro de 2022 e 2024 e as primárias realizadas em agosto de 2026. Um dos acusados, o ganês Joshua Frederick Kofi Edzie, de 63 anos, é acusado de ter votado ilegalmente na primária de 11 de agosto de 2026 e de ter declarado falsamente cidadania norte-americana para votar em 2024 e 2026.
O procurador-geral Todd Blanche afirmou que apenas cidadãos norte-americanos podem votar nas eleições dos Estados Unidos e defendeu a aplicação das regras eleitorais.
“As acusações de hoje alegam que dez estrangeiros cometeram fraude eleitoral em Minnesota, um deles votando ilegalmente nas primárias de agosto”, disse o Procurador-Geral Todd Blanche. “A lei é clara: somente cidadãos americanos podem votar em eleições americanas, e a aplicação dessa lei é fundamental para a nossa democracia. Isso não deveria ser uma questão partidária.”
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, também afirmou que o governo pretende responsabilizar estrangeiros que votem ilegalmente e mencionou a possibilidade de deportação.
“Nossa mensagem para os estrangeiros que votam nas eleições americanas é clara: nós os encontraremos, os prenderemos e vocês enfrentarão as consequências, incluindo acusações criminais e deportação”, disse o Secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Markwayne Mullin. “Sob a liderança do Presidente Trump, esta administração jamais permitirá que os votos de cidadãos americanos sejam anulados por não cidadãos que votam ilegalmente em nossas eleições. Somente cidadãos americanos devem eleger líderes americanos.”
O procurador dos Estados Unidos em Minnesota, Daniel N. Rosen, afirmou que a declaração falsa de cidadania para obter uma cédula também configura crime.
“Votar nas eleições americanas é um privilégio da cidadania americana”, disse o Procurador dos Estados Unidos, Daniel N. Rosen. “A usurpar esse privilégio é crime. Quando, para obter uma cédula de votação, um não-cidadão jura ser cidadão, nós o processaremos.”
Entre os demais casos está o da liberiana Bhator Konah Bryant, de 61 anos, acusada de declarar falsamente cidadania norte-americana ao se registrar para votar em outubro de 2024. A lituana Edvile Vaidoto Edmunds, de 59 anos, é acusada de ter votado ilegalmente em novembro de 2022.
O alemão Paul Kras, de 78 anos, o bósnio Fadil Rasim Ozegovic, de 58, o liberiano Alan Barbu Kargbo, de 48, o liberiano Chris Adam Pettiquoi, de 43, o canadense Christian Liam Schenk, de 47, e a sul-africana Hester Sophia Weihmann, de 69, também foram denunciados por voto ilegal ou falsa declaração de cidadania.
A falsa declaração de cidadania para votar é enquadrada no artigo 1015(f) do Título 18 do Código dos Estados Unidos. A pena máxima prevista é de cinco anos de prisão, três anos de liberdade supervisionada e multa de até US$ 250 mil. O voto por estrangeiro é previsto no artigo 611 do mesmo código e pode resultar em até um ano de prisão e multa de até US$ 100 mil.
As investigações foram conduzidas pela Homeland Security Investigations (HSI). Os processos são conduzidos pelo primeiro procurador-assistente dos Estados Unidos, Joseph S. Teirab.
O Departamento de Justiça ressalva que as acusações representam alegações e que todos os réus são presumidos inocentes até eventual condenação definitiva.
A divulgação ocorre dentro da ofensiva do governo Trump sobre integridade eleitoral. O Departamento de Justiça também anunciou outras medidas relacionadas a crimes eleitorais em setembro.