O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil repercutiu na imprensa internacional neste domingo (4). Jornais e agências destacaram a passagem de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno e a vantagem obtida pelo candidato do PL nas urnas.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula teve 53,8 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de 2,23 milhões de votos. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A repercussão internacional também destacou o desempenho de candidatos e partidos de direita nas eleições brasileiras. O El País apontou o avanço de aliados de Jair Bolsonaro e citou a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e o desempenho do PL nas disputas para o Congresso.
Na Argentina, o La Nación destacou que Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula por cerca de dois pontos percentuais e relacionou o resultado ao avanço de posições conservadoras no país e na América Latina. O jornal também ressaltou que as pesquisas anteriores à votação haviam indicado uma disputa diferente.
O Clarín classificou o resultado como uma “surpreendente e dramática reviravolta” e destacou que Flávio ficou à frente de Lula apesar das pesquisas que apontavam vantagem do presidente antes da votação.
O francês Le Monde também registrou a liderança de Flávio no primeiro turno. O jornal destacou a relação do senador com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a passagem dos dois candidatos para a segunda etapa da eleição.
O The Guardian ressaltou que o resultado ficou acima do desempenho projetado para Flávio em parte das pesquisas e apontou o avanço da direita nas demais disputas eleitorais. A imprensa internacional também relacionou o resultado brasileiro ao movimento político observado em outros países da região.
A Reuters destacou que Flávio superou as expectativas no primeiro turno e terminou à frente de Lula. A agência também relacionou o resultado brasileiro a uma sequência recente de avanços de partidos de direita na América Latina.
O New York Times tratou a disputa brasileira como parte do avanço da direita na América Latina. Segundo o jornal, uma eventual vitória de Flávio no segundo turno representaria “a maior vitória até agora para a direita em ascensão” na região. A publicação também destacou a proximidade do candidato com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Washington Post também abordou o resultado brasileiro em meio ao cenário político latino-americano. O jornal destacou a disputa entre Flávio e Lula e o desempenho de candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições realizadas no país. A publicação também mencionou a influência de Trump no cenário eleitoral brasileiro.
A agência Associated Press relacionou a eleição brasileira à disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina. Segundo a agência, uma vitória de Flávio ampliaria a aproximação de Brasília com Washington, enquanto uma vitória de Lula manteria o Brasil mais próximo da China.
A imprensa internacional também chamou atenção para a diferença entre as pesquisas divulgadas antes da votação e o resultado das urnas. Levantamentos citados por veículos estrangeiros indicavam Lula à frente ou em situação de empate, enquanto Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos.
Repercussão entre líderes estrangeiros
O resultado também provocou manifestações de políticos estrangeiros.
O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou Flávio pela votação. “A liberdade avança no Brasil”, escreveu no X. O argentino também afirmou esperar que os dois países possam trabalhar juntos e manter a parceria comercial, cultural e política.
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, declarou apoio ao candidato do PL. “Hoje meu coração está com o Brasil”, escreveu. Ele também afirmou que “a verdadeira mudança é derrotar a esquerda” e enviou “um grande abraço” a Flávio.
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado também se manifestou. Ela classificou a votação como uma “jornada democrática exemplar” e parabenizou Flávio pelo resultado. Segundo Machado, “os latino-americanos querem viver com liberdade, democracia, prosperidade e justiça”.
O ex-presidente da Colômbia Iván Duque também parabenizou Flávio. Ele destacou a participação dos eleitores e afirmou que a votação fortaleceu “a institucionalidade e o respeito pela vontade popular”.
Nos Estados Unidos, a deputada republicana María Elvira Salazar, da Flórida, afirmou que os brasileiros enviaram uma “mensagem retumbante” nas urnas. “Chega de corrupção. Chega de perseguição política. Chega de socialismo”, escreveu. A parlamentar também disse que milhões de brasileiros estariam “prontos para uma nova direção”.