A Prefeitura de São Paulo afastou um servidor suspeito de vazar dados do Smart Sampa, programa municipal de monitoramento por câmeras com reconhecimento facial. O caso é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM), segundo a administração municipal.
O episódio veio a público após reportagem do Uol apontar que informações restritas do sistema estavam disponíveis na internet em um repositório público havia cerca de um ano. Segundo a publicação, o material incluía 181 logins e senhas de usuários autorizados.
Em nota, a prefeitura classificou o episódio como um “ato criminoso” praticado por um funcionário já identificado. A gestão, porém, negou que o caso represente uma vulnerabilidade na estrutura de segurança do programa.
“Não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa. O que houve foi um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor entre os mais de 7.500 agentes de segurança”, afirmou a administração municipal.
A prefeitura também declarou que não houve uso indevido da plataforma. De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), o repositório com os dados foi retirado do ar e o material não continha senhas de acesso, em contraponto às informações publicadas pelo Uol.
Após o caso, a gestão informou ter reforçado os mecanismos de proteção do sistema. Entre as medidas anunciadas estão o uso de senhas exclusivas e a autenticação em dois fatores. A criação de uma nova senha também exige a validação de um código enviado por SMS.
O Smart Sampa utiliza câmeras inteligentes para auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça, foragidos e desaparecidos. As imagens captadas pelos equipamentos são cruzadas com bases oficiais de dados.
A prefeitura afirma que o programa está sujeito à fiscalização do Tribunal de Contas do Município e conta com consultoria especializada em governança e privacidade. Segundo a gestão, as obrigações contratuais incluem auditorias periódicas, testes de segurança, monitoramento e correção de eventuais vulnerabilidades.
A supervisão técnica da plataforma é atribuída à Coordenadoria de Tecnologia, Integração e Segurança, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana.