O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis, que investiga 15 vereadores por suspeitas de corrupção e outras irregularidades na administração pública. Os alvos são 13 parlamentares de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
A operação cumpre 30 mandados de busca e apreensão em endereços nos três municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Mais de 200 agentes participam da ação, com equipes das polícias Militar, Civil e Penal, do Sistema Socioeducativo e do Ministério Público.
Segundo o Gaeco, a apuração busca esclarecer a possível atuação de uma organização criminosa que teria se articulado para obter vantagens indevidas, cooptar agentes públicos e cometer crimes contra a administração pública. Entre as suspeitas relatadas estão a compra de votos e irregularidades nas eleições das Mesas Diretoras dos Legislativos municipais.
Entre os políticos citados em informações sobre a operação estão o presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), o presidente eleito da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, Ilde Taques (Podemos), e o vereador cuiabano Alex Rodrigues. O Ministério Público não divulgou oficialmente a lista completa dos investigados.
Eleições das Câmaras estão no centro da apuração
Em Várzea Grande, uma das linhas investigadas envolve a votação de 14 de maio, quando Cerqueira foi reconduzido à presidência por 12 votos a 11, em disputa contra Lucas do Chapéu do Sol (PL). A apuração busca esclarecer denúncias de que vereadores teriam recebido vantagens financeiras para apoiar a chapa vencedora.
Também são investigados relatos sobre a permanência de parlamentares em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, nos dias que antecederam a votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados. Outra linha apura um possível acordo relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que poderia envolver benefícios indevidos em troca de apoio político.
A eleição que reconduziu Cerqueira foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em maio, após o ministro Dias Toffoli considerar irregular a antecipação da votação para o biênio 2027-2028.
Em Cuiabá, Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara em 6 de outubro, com apoio dos 27 vereadores. Ele deve assumir o comando do Legislativo em janeiro de 2027. Os detalhes das suspeitas relacionadas aos parlamentares da capital ainda não foram esclarecidos publicamente.