O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que manifestações consideradas ilegítimas serão proibidas nos próximos dias, após confrontos, saques e depredações registrados em diversas cidades do país. A medida foi anunciada depois de uma reunião com ministros e representantes dos serviços de inteligência no Palácio do Eliseu, em Paris.
“Não é o momento. Queremos o retorno à calma”, afirmou Macron ao justificar as restrições. Segundo o presidente, pedidos de manifestação apresentados por grupos sem legitimidade para convocar os atos deverão ser barrados pelas autoridades locais.
O governo, porém, não pretende impedir indiscriminadamente todas as mobilizações. Para manifestações organizadas por sindicatos, Macron afirmou que poderão ser propostos percursos alternativos para preservar áreas comerciais e edifícios públicos.
A decisão ocorre dois dias antes de novas manifestações previstas para sábado (24), convocadas por estudantes e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos. O governo prepara um esquema reforçado de segurança para evitar a repetição dos episódios de violência registrados no fim de semana anterior.
Macron acusa grupos de extrema-esquerda
Ao comentar os distúrbios de sábado (17), Macron atribuiu parte da violência a grupos organizados de extrema-esquerda. O presidente afirmou que as ações não se limitaram a crimes comuns e acusou os grupos de tentar desestabilizar as instituições francesas.
“Assistimos, no último sábado, a atos políticos e até sediciosos conduzidos por grupos organizados de extrema-esquerda cujo objetivo é derrubar a República”, declarou.
Macron disse que esses grupos atuaram com violência e planejamento. Na mesma declaração, diferenciou as ações políticas que atribuiu às organizações dos crimes cometidos durante os saques e depredações.
O presidente também defendeu uma resposta firme do Estado diante da possibilidade de novos confrontos. “A mão não deve tremer no topo do Estado”, afirmou, em declaração feita durante sua viagem ao Oriente Médio, antes da reunião desta quinta-feira em Paris.
As autoridades francesas passaram a revisar a atuação das forças de segurança após os episódios do último fim de semana. Integrantes do governo reconheceram falhas de antecipação diante da dimensão dos distúrbios, enquanto comerciantes reforçaram a proteção de estabelecimentos diante do risco de novas depredações.
Lyon proíbe manifestações no sábado
As restrições já começaram a ser aplicadas em algumas cidades. Em Lyon, as autoridades proibiram as manifestações previstas para sábado, em meio à preocupação com a possibilidade de novos confrontos. O governo também prepara o reforço do policiamento para o fim de semana.
Apesar das medidas, organizações estudantis e integrantes dos Coletes Amarelos mantêm a intenção de mobilizar manifestantes. O movimento ganhou projeção nacional em 2018, quando levou milhares de pessoas às ruas contra o custo de vida e políticas do governo francês.
A atual onda de protestos reúne insatisfação com os preços, a situação dos serviços públicos e as condições oferecidas aos jovens. Parte das mobilizações ocorreu de forma pacífica, mas os confrontos e saques registrados no dia 17 aumentaram a pressão sobre o governo para conter a violência.
Sindicatos mantêm pressão sobre o governo
As centrais sindicais também continuam mobilizadas. Após negociações sem acordo com o governo, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) manteve a convocação de uma greve nacional para 5 de novembro.
Em comunicado divulgado na quarta-feira (21), a entidade defendeu a paralisação como instrumento de pressão para atender às reivindicações dos trabalhadores e dos jovens. A organização também condenou os episódios de violência e sustentou que as mobilizações devem ocorrer pacificamente.