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Onda Azul – Claudio Dantas

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O mundo atravessa uma reconfiguração política que já não se explica pelos manuais das últimas décadas. Em países de diferentes continentes, eleitores vêm rejeitando a combinação da elevação do custo de vida e narrativas culturais percebidas como imposições. O resultado é uma sequência de vitórias de forças de direita e centro-direita que está alterando o equilíbrio de poder internacional e, por extensão, as condições nas quais o Brasil decide seu futuro neste domingo.

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Essa onda começou a se desenhar com clareza em 2016, com o Brexit no Reino Unido e a primeira eleição de Trump nos EUA. Ambos os eventos romperam a ideia de que globalização e multilateralismo eram processos irreversíveis e devolveram ao centro do debate temas como soberania, controle de fronteiras e prioridade dos interesses nacionais. A partir dali o movimento ganhou força na Europa e na América Latina, em ritmos e com características próprias em cada nação.

Na Europa, Giorgia Meloni chegou ao poder na Itália em 2022 com uma agenda explícita de direita, mantendo alta popularidade mesmo enfrentando resistências de instituições europeias. Na França, Marine Le Pen e o Rassemblement National ampliaram a presença parlamentar, sendo favoritos ao Élysée. Na Alemanha, a AfD cresceu e forçou o centro a discutir temas que eram tabus. Na Polônia, os conservadores recuperaram a Presidência com Karol Nawrocki, enquanto Tusk mantém viva a força da direita-liberal.

Do outro lado do Atlântico, a reeleição de Trump em 2024 recolocou os EUA em uma postura de reindustrialização e contenção da China. A administração passou a tratar migração e segurança de fronteiras como questões de soberania nacional. Esse reposicionamento pragmático gerou um efeito cascata, influenciando o direcionamento político de toda a região.

Na América Latina, o movimento é nítido e o ponto de inflexão foi a chegada de Nayib Bukele à Presidência de El Salvador em 2019. Sua política transformou o país de um dos mais violentos do mundo em um dos mais seguros. No Paraguai, o Partido Colorado manteve o poder com Santiago Peña em 2023. Na Bolívia, Rodrigo Paz venceu em 2025 e encerrou décadas de domínio do MAS com uma plataforma de capitalismo para todos e drástica redução do peso estatal.

No Peru, Keiko Fujimori conquistou a Presidência em 2026, alinhando o país ao bloco de governos conservadores da região. Vitórias que se somam às de Milei na Argentina,  Kast no Chile e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Um bloco que não é fruto de conspiração, mas de respostas reais aos mesmos problemas. A comunicação digital amplificou narrativas alternativas, permitindo que os eleitores comparem resultados concretos e eficientes entre os países.

No Brasil, o primeiro turno já registrou o recado das urnas. A direita ampliou bancadas no Congresso e colocou Flávio Bolsonaro na liderança para a rodada final. O resultado dialoga com o ambiente internacional: os eleitores valorizam aqueles que prometem ordem, pragmatismo e menor adesão ao ativismo estatal. A tendência deste domingo insere-se num ciclo global em que nações redefinem prioridades e redesenham o xadrez político mundial. A conferir.





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