O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25) que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação no segundo turno exigiu uma operação extraordinária da Justiça Eleitoral para evitar problemas técnicos na apuração.
No balanço final das eleições de 2026, ele ressaltou que a medida foi inédita e provocou dificuldades operacionais, embora tenha afirmado que o tribunal conseguiu contornar os obstáculos.
“Não é uma decisão convencional”, declarou Nunes Marques ao explicar a complexidade de estender o funcionamento das seções eleitorais depois do horário inicialmente previsto para o encerramento do pleito.
O ministro também afirmou que a adaptação precisou ser organizada em poucas horas, sem que fosse possível antecipar todos os efeitos da mudança sobre os sistemas da Justiça Eleitoral.
A decisão de Zanin determinou a extensão da votação até as 19h, após uma ação apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou dificuldades de deslocamento de eleitores por problemas no transporte público. A ordem foi direcionada ao TSE para cumprimento. Posteriormente, ficou esclarecido que a prorrogação se aplicava somente às seções em que a votação ainda não havia sido encerrada às 17h, sem reabertura das urnas já fechadas.
Segundo Nunes Marques, assim que recebeu um pedido relacionado à ampliação do horário, buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes do próprio TSE. O presidente da Corte afirmou que precisava avaliar as consequências de uma mudança dessa dimensão, especialmente para os sistemas tecnológicos utilizados na eleição.
“Não seria possível, em poucas horas, construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico, advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a população”, afirmou.
O ministro ressaltou que sua explicação não deveria ser interpretada como uma crítica à decisão de Zanin. Segundo ele, o objetivo era esclarecer as dificuldades enfrentadas pelo tribunal diante das dúvidas que surgiram sobre o tempo necessário para organizar a execução da ordem.
“Tudo foi inusitado”, disse Nunes Marques ao descrever o procedimento. Ele explicou que a equipe precisou adotar medidas de contenção no fluxo de dados das urnas para impedir o acesso antecipado ao conteúdo dos equipamentos e organizar a capacidade de armazenamento dos registros recebidos.
De acordo com o presidente do TSE, a estratégia permitiu evitar problemas na etapa de totalização. “Nós conseguimos contornar todas essas dificuldades em última hora”, afirmou. Ele acrescentou que os pacotes de dados foram recebidos de maneira controlada e que a divulgação dos resultados avançou após as 19h, quando terminou o período adicional de votação.
Nunes Marques garantiu que a decisão judicial não comprometeu a integridade dos resultados. “Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, declarou, ao afirmar que a Justiça Eleitoral cumpriu a determinação nos termos em que foi proferida e, na sequência, retomou o processamento dos dados.
O episódio provocou a suspensão temporária da divulgação da apuração nacional. O TSE informou que a totalização seria retomada depois das 19h, respeitando a orientação de manter abertas somente as seções que ainda não haviam encerrado a votação.
Na avaliação de Nunes Marques, a resposta da equipe técnica foi decisiva para superar a situação. O ministro afirmou que o tribunal adotou as providências necessárias e reiterou que havia segurança sobre o processamento dos votos.
Durante o balanço das eleições, o presidente do TSE também agradeceu aos ministros da Corte, aos tribunais regionais eleitorais, aos servidores, aos mesários, às forças de segurança, às entidades fiscalizadoras, aos partidos e à imprensa.