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Buscas por “Paraguai” no Google crescem 900% com vitória de Lula – Paulo Figueiredo

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Buscas por “Paraguai” no Google crescem 900% com vitória de Lula


Interesse pelo país vizinho aumenta na internet; petista foi eleito para o 4º mandato

As buscas pelo termo “Paraguai” no Google cresceram 900% nas últimas 24 horas até as 6h desta terça-feira, 27, diante da confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Os dados são do Google Trends, que mensura o interesse dos usuários pelos assuntos pesquisados na plataforma.

Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. Com o resultado, o petista garantiu um novo mandato no Palácio do Planalto.

O interesse não se limitou ao nome do país. As buscas no Google sobre como viver no Paraguai aumentaram 1.700% depois da reeleição de Lula, também de acordo com o Google Trends.

O interesse pelo Paraguai acompanha o avanço do país nos rankings de liberdade econômica. No Índice de Liberdade Econômica 2026, da Heritage Foundation, o vizinho alcançou 66,4 pontos e passou a ocupar a 55ª posição mundial. Em 2024, estava em 80º.

No mesmo período, o Brasil caiu da 124ª para a 134ª colocação, entre 176 países avaliados.

A fundação norte-americana atribui o resultado às reformas do governo do presidente Santiago Peña, com maior disciplina fiscal e estabilidade monetária. O país também conquistou o grau de investimento das agências de classificação de risco Moody’s, em julho de 2024, e S&P, em dezembro de 2025.

O sistema tributário é o principal atrativo. Conhecido como “10-10-10”, o modelo fixa em 10% a alíquota máxima do Imposto de Renda de pessoas físicas e de empresas e o Imposto sobre Valor Agregado. A carga tributária equivale a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB), contra aproximadamente 33% do PIB no Brasil.

Indústrias no Paraguai

Indústrias voltadas à exportação contam ainda com a Lei de Maquila. Nesse regime, as empresas pagam 1% sobre o valor agregado no país e ficam isentas de imposto sobre dividendos. Até dezembro de 2025, 231 das 339 companhias que operavam nesse modelo eram brasileiras, segundo o Ministério de Indústria e Comércio paraguaio.

Os encargos trabalhistas também pesam na decisão. A contribuição patronal à previdência é de 16,5%, ante 20% no Brasil, sem recolhimento de FGTS, PIS/Pasep ou Sistema S. Marcas como Havan, Lupo e JBS ampliaram operações no país vizinho.

A migração de pessoas segue o mesmo ritmo. No primeiro semestre de 2026, a Direção Nacional de Migrações do Paraguai recebeu 33 mil pedidos de residência de estrangeiros, alta de 60% em relação ao mesmo período de 2025. O órgão concedeu 29 mil residências, das quais 22 mil a brasileiros, cerca de 76% do total.

Dados do Itamaraty de 2023 apontam aproximadamente 263 mil brasileiros no Paraguai, a terceira maior comunidade no exterior.

O próprio índice da Heritage, porém, aponta desafios. A informalidade elevada e as fragilidades institucionais, como proteção ao direito de propriedade e eficiência do Judiciário, ainda limitam a nota paraguaia.

Segundo turno teve interferência inédita de ministro do STF

O segundo turno brasileiro também ficou marcado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o próprio horário da eleição. No domingo 25, o ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação até as 19h, pelo horário de Brasília, em todo o país.

Zanin foi advogado pessoal de Lula e chegou à Corte por indicação do petista.

O PT protocolou o pedido às 15h46, inicialmente para três cidades da Bahia, com alegações de falta de transporte para os eleitores. Zanin foi sorteado relator às 16h33, e a decisão saiu às 17h03.

Parte do eleitorado não conseguiu usar o tempo extra, porque muitas seções já estavam fechadas quando a ordem foi publicada.

A medida do STF passou por cima do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a quem caberia decidir sobre os pedidos das campanhas. A equipe de Flávio também recorreu, às 15h50, com menção a chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia em outros Estados.

Em nota, Zanin afirmou que as duas candidaturas relataram problemas no transporte de eleitores e que a prorrogação valeria apenas nos “locais onde as urnas não foram fechadas”. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acompanhou a decisão.

Crédito Revista Oeste



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