As empresas listadas na B3 perderam R$ 873 bilhões em valor de mercado após o 2º turno das eleições presidenciais, onde Lula (PT) acabou reeleito. A informação é de um levantamento da Elos Ayta. Na segunda-feira (26), a Bolsa brasileira acionou o circuit breaker e caiu quase 14% em um único pregão.
As perdas continuaram na terça-feira (27) e na quarta-feira (28), em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre a política econômica do próximo governo.
O Citigroup e a BCA Research rebaixaram suas recomendações para ativos brasileiros. As instituições apontaram piora na relação entre risco e retorno e incertezas sobre a disciplina fiscal e as reformas estruturais.
A BCA também alertou para o aumento dos riscos de inadimplência, perspectivas mais fracas de crescimento econômico e pressões inflacionárias decorrentes da desvalorização do real.
Em relatório, a agência de classificação de risco Moody’s afirmou que a falta de medidas mais firmes de consolidação fiscal pode pressionar o perfil de crédito do Brasil. Segundo a instituição, a manutenção da atual trajetória fiscal tende a prolongar os déficits nominais, os custos elevados de financiamento e o aumento dos encargos da dívida pública.
Os juros futuros também subiram. Na segunda-feira (26), as taxas avançaram mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos e permaneceram em patamares elevados. Na manhã desta quinta-feira (29), o contrato de DI para janeiro de 2028 era negociado a 14,43%.
A turbulência também atingiu os fundos de investimento. Levantamento obtido pela analista de economia da CNN Money, Lucinda Pinto, aponta perdas de até 21% entre os fundos multimercados analisados. Em estratégias com posições compradas e vendidas, mas maior exposição à alta das ações, as perdas superaram 40% em um único dia.
Com a revisão das expectativas para a economia, os investidores passaram a ver menos espaço para cortes na taxa básica de juros. A Selic está em 13,75% ao ano.
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana para decidir os rumos da taxa básica em meio à piora das expectativas do mercado.
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