Ucrânia e Rússia informaram que aplicativos públicos de alerta de emergência foram hackeados durante a madrugada de hoje (2). As invasões provocaram o envio de mensagens falsas sobre possíveis ataques aéreos, químicos e nucleares à população dos dois países.
Os episódios ocorreram no mesmo período em que terminou um cessar-fogo local de seis dias no sul da Ucrânia. A trégua foi mediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e representou a pausa mais longa nos combates desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022.
Na Ucrânia, o aplicativo de alerta começou a transmitir mensagens falsas pouco antes das 23h de domingo (1º). Os avisos foram enviados a Kiev e outras regiões, com informações sobre ataques com radiação e armas químicas. Algumas mensagens também mencionavam risco de confrontos nas ruas.
Uma das notificações afirmava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik, capaz de transportar ogiva nuclear, e que um alerta nuclear havia sido declarado.
A Força Aérea ucraniana informou pelo Telegram que o sistema aparentemente havia sido invadido por hackers russos. Segundo a corporação, as mensagens foram transmitidas em russo, embora o idioma ucraniano seja obrigatório nas comunicações oficiais do país.
“O aplicativo de alerta aéreo parece ter sido alvo de influência inimiga”, afirmou a Força Aérea. “Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!”
O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia suspendeu temporariamente o aplicativo. A pasta informou que outros canais de comunicação continuavam funcionando, assim como as sirenes de alerta aéreo.
Rússia também registra invasão
Horas depois, a agência estatal russa TASS informou que o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência da Rússia também havia sido alvo de um ataque cibernético. A invasão resultou na divulgação de alertas falsos à população.
Uma mensagem publicada pelos hackers afirmava que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões russas. O texto recomendava que os moradores armazenassem alimentos para três semanas e procurassem abrigo em porões.
A publicação não tentou reproduzir o padrão de uma comunicação oficial. Segundo a Reuters, a mensagem continha palavrões, expressões coloquiais e termos depreciativos sobre a Rússia, além de chamar regiões do país de “pântanos”.
O grupo Atesh, identificado como pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela do alerta falso em seu canal no Telegram. A mensagem dizia: “O aplicativo do Ministério de Situações de Emergência foi hackeado!”
O ministério russo minimizou o alcance do incidente. A pasta afirmou que o aplicativo não integra os principais canais oficiais de alerta público, mas funciona como uma fonte complementar de informações. Especialistas trabalhavam para restabelecer o serviço.
“Pedimos à população que mantenha a calma e confie apenas em fontes oficiais de informação — o site do Ministério de Situações de Emergência da Rússia e as contas oficiais do departamento nas redes sociais”, declarou o órgão.
A Reuters informou que não conseguiu identificar os responsáveis pelas invasões. Ataques cibernéticos anteriores durante a guerra foram atribuídos por especialistas a grupos de hackers ativistas e a agências de inteligência dos dois países.
Ucrânia enfrenta falta de defesas aéreas
O episódio ocorre em meio à pressão militar sobre a Ucrânia, que enfrenta escassez de sistemas de defesa aérea, especialmente de interceptadores Patriot, de fabricação norte-americana. Esses equipamentos são considerados uma das principais defesas do país contra mísseis balísticos russos.
Na sexta-feira (30), os Estados Unidos anunciaram um acordo de US$ 2,1 bilhões para fornecer 500 interceptadores Patriot à Ucrânia. Duas fontes ouvidas pela Reuters, porém, afirmaram que a entrega dos mísseis poderá levar anos.
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