O ex-vereador carioca diz que seu pai ainda enfrenta crises de soluços e que a ‘saúde dele se deteriora rapidamente’
O ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais para descrever o primeiro encontro com o pai, Jair Bolsonaro, logo que o ex-presidente iniciou o cumprimento de prisão domiciliar em Brasília. Segundo o relato publicado nesta quarta-feira, 1º, o estado de saúde do ex-chefe do Executivo apresenta sinais de declínio acelerado. Carlos destacou que o pai ainda sofre com “crises de soluços intermináveis” e que o cerceamento da liberdade tem agravado comorbidades preexistentes.
Apesar do quadro clínico, o filho do ex-presidente reforçou a resiliência do pai diante da condenação de 27 anos e três meses de reclusão. Carlos classificou a situação atual como “menos pior do que uma prisão” em regime fechado, mas reiterou a tese de inocência da família. “Tenho absoluta certeza de que, independentemente da maldade que tentam impor a um homem inocente, ele jamais se entregará”, afirmou.
Regras rígidas e isolamento
A visita de Carlos ocorreu sob o estrito protocolo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão que permitiu a transferência de Bolsonaro para sua residência no dia 24 de março impõe condições severas: o ex-presidente é monitorado por tornozeleira eletrônica e está terminantemente proibido de utilizar telefones celulares, gravar vídeos ou acessar redes sociais e a internet.
Fiquei bastante tempo sem ver o presidente Jair Bolsonaro e hoje tive a oportunidade de vê-lo e conversar.
Mesmo estando em casa, é evidente que se trata de uma situação menos pior do que uma prisão, e isso precisa sempre ser lembrado. Afinal, ele ainda está preso e não cometeu… pic.twitter.com/oWdGFTqr5g— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) April 1, 2026
O regime de visitas é cronometrado. Os filhos só possuem autorização para entrar na residência às quartas-feiras e aos sábados, em janelas específicas de duas horas, dividindo esse tempo entre os irmãos. Apenas advogados e médicos selecionados têm permissão de ingresso, enquanto a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a filha caçula Laura mantêm circulação livre por residirem no local. No entorno do imóvel, a Polícia Militar do Distrito Federal mantém um bloqueio para impedir aglomerações em um raio de um quilômetro.
Bolsonaro foi para domiciliar depois de internação
A mudança para o regime domiciliar, com validade temporária de 90 dias, aconteceu com a conclusão de um período de internação hospitalar. No dia 13 de março, Bolsonaro sofreu um mal-estar súbito em sua cela e precisou de atendimento de urgência no Hospital DF Star. O diagnóstico apontou pneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração.
A defesa do ex-presidente obteve a conversão da pena logo que a equipe médica concedeu alta, argumentando a necessidade de cuidados específicos que o sistema prisional comum não poderia oferecer. Mesmo em ambiente doméstico, Carlos Bolsonaro descreve o cenário como uma “missão” contínua, afirmando que a “máquina” do pai permanece ativa, apesar das limitações físicas e jurídicas impostas pela Suprema Corte.