O programa ALive desta terça-feira (07) abordou o crescimento das apostas em “análises preditivas” no Brasil, chamadas de “bolsas de valores da realidade”. Nessas plataformas, contratos são negociados sobre o resultado de eventos futuros, do PIB ao vencedor de reality shows.
O advogado Helio Ferreira Moraes, crítico falta da regulação da modalidade no país, explicou no programa que se trata de “compras de contratos sob previsões de eventos futuros”: “É como se a gente pudesse apostar em tudo, qualquer coisa, qualquer evento, shows, esportes, eventos geopolíticos, qualquer tipo de situação do mundo, a gente pode ali comprar um contrato”.
Moraes destacou a ausência de regulamentação no Brasil, que gera “insegurança muito grande para os mercados”: “Vocês vão se lembrar do passado quando vieram negócios que ainda não tinham nenhum tipo de regulamentação, principalmente como o Uber, por exemplo, o Airbnb, tivemos muitas polêmicas, muitos embates, alguns inclusive chegando ao Judiciário, então isso, um ambiente que tem falta de clareza nas regras, acaba gerando essa perspectiva.”
O advogado ressaltou divergências sobre como classificar essas operações: “Tem gente que defende que seria um contrato de derivativo, deveria ser regulado pela CVM, que é o órgão responsável por esse tipo de ativo financeiro, tem gente que defende que deveria ser regulado como uma bet, então seria pela SPA, a Secretaria de Jogos e Apostas, e tem gente que defende que não seria nenhum dos dois, seria um contrato aleatório.”
Ele alertou para os riscos ligados a “aposta”, fatores “financeiros” e questões “relacionadas à proteção de dados”: “A gente não tem ainda um agente envolvido para fazer essa regulação, então isso é que gera esse momento um pouco instável aqui no Brasil.”
Moraes também citou que XP e BTG anunciaram plataformas de análises preditivas recentemente, e que a B3 estuda entrar no setor.
“O ambiente hoje em dia é aquele ambiente desafiador para o empresário que queira trazer esse tipo de proposta e para o público é desafiador porque a gente não sabe em quem confiar, a gente não sabe qual plataforma é segura, qual plataforma faz a checagem”, completou.
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