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Master: ativos cresceram mais de 2.000% sob o comando de Daniel Vorcaro – Paulo Figueiredo

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A trajetória de crescimento acelerado do grupo, que inclui instituições como Will Financeira, Banco Voiter, Letsbank, Master Corretora de Câmbio e Intercap Distribuidora

O rápido avanço do Banco Master no cenário financeiro nacional chamou atenção ao registrar um salto de ativos de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões entre 2019 e 2024. Essa expansão de 2.123% ocorreu sob o comando do banqueiro Daniel Vorcaro, que assumiu o controle do antigo Banco Máxima em outubro de 2019, depois de adquiri-lo em 2018.

A trajetória de crescimento acelerado do grupo, que inclui instituições como Will Financeira, Banco Voiter, Letsbank, Master Corretora de Câmbio e Intercap Distribuidora, foi registrada nas demonstrações financeiras analisadas até abril de 2025. Contudo, a estratégia do banco envolveu captação por meio de CDBs com juros acima dos de mercado e a criação de carteiras de crédito fictícias, o que levou o Banco Central a determinar a liquidação do Master em novembro do ano passado.

Com a liquidação, todas as operações da instituição foram interrompidas, e um liquidante foi designado. A maioria dos clientes recebeu ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dentro do limite legal, mas o caso evidenciou limitações do fundo diante do elevado volume de recursos envolvidos.

Ascensão meteórica e disputa no ranking bancário

Quando Vorcaro assumiu, o Master ocupava a 90ª posição em ativos, com R$ 3,7 bilhões, e o BRB era o 39º, somando R$ 16,7 bilhões. Em 2024, depois da reestruturação, o conglomerado alcançou a 23ª posição, superando o BRB, que ficou em 29º, com R$ 61,3 bilhões. O Master chegou a receber proposta de compra do BRB por R$ 2 bilhões em agosto daquele ano.

Os dados do conglomerado mostram aumento expressivo nas operações de crédito, que passaram de R$ 768,4 milhões em 2019 para R$ 16,8 bilhões em 2024, e nas aplicações em títulos e valores mobiliários, que saltaram de R$ 792 milhões para R$ 32,1 bilhões. O caixa também cresceu, de R$ 78 milhões para R$ 397 milhões, e os bens permanentes atingiram R$ 611,5 milhões em 2024.

No passivo, o crescimento acompanhou o dos ativos, ao subir de R$ 3,5 bilhões em 2019 para R$ 77,3 bilhões em 2024, dos quais R$ 59,9 bilhões eram depósitos de clientes. Esse volume colocou o Master como o 15º banco com mais depósitos no país naquele ano. O BRB, para comparação, encerrou 2024 com R$ 39,6 bilhões em depósitos.

Resultados financeiros e expansão do grupo

A evolução financeira também se refletiu nos resultados: o banco saiu de um prejuízo de R$ 13,2 milhões em 2018 para lucro líquido de R$ 30,4 milhões em 2019 e, em 2024, registrou R$ 567 milhões, o 20° maior do país. Esse resultado superou o BRB, que lucrou R$ 227 milhões no mesmo período.

As receitas com operações de crédito passaram de R$ 210 milhões para R$ 4,6 bilhões entre 2019 e 2024, colocando o Master na 14ª posição nacional nesse quesito. As receitas com títulos e valores mobiliários também cresceram para R$ 1,7 bilhão, ocupando a 21ª posição nesse segmento.

A trajetória do grupo inclui marcos como a aquisição do Máxima em 2017, a mudança de nome para Banco Master em 2021, a criação do Banco Master Investimento em 2022, a compra do Banif, banco português, em 2023, e novas aquisições em 2024, como Voiter, Letsbank, Will Bank e Intercap.

Crise, investigações e consequências

O ano de 2025 marcou o início da crise, quando investigações apontaram fraudes, o que levou à Operação Compliance Zero, em novembro. Mandados foram expedidos contra Daniel Vorcaro e outros executivos, e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado por suspeita de participação em operações fraudulentas que envolveram o Master.

Em janeiro de 2026, uma nova fase da operação focou a recuperação de ativos, com bloqueio judicial de R$ 5,7 bilhões. Agentes do Banco Central também foram investigados por atuar como consultores privados em troca de propina. Daniel Vorcaro foi novamente preso, e o STF determinou bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, enquanto o banqueiro negocia delação premiada.

O grupo é investigado pelos crimes de gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de Justiça. O caso do Banco Master evidencia riscos e desafios no sistema financeiro nacional diante de estratégias agressivas e práticas irregulares.

Crédito Revista Oeste



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