Banqueiro pede à Justiça americana suspensão de intimações
O banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, tenta na Justiça dos Estados Unidos interromper o avanço de investigações sobre seu patrimônio no exterior. A ofensiva ocorre enquanto ele negocia um acordo de delação premiada no Brasil.
A defesa apresentou pedido ao Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida para suspender uma série de intimações expedidas em abril, que buscam mapear ativos e relações comerciais ligadas ao empresário e a empresas associadas ao caso do Banco Master. Uma audiência foi marcada para a próxima terça-feira (28), quando o juiz responsável analisará o pleito.
Os advogados classificam a iniciativa como uma “pescaria probatória”, termo usado para descrever buscas amplas por informações sem delimitação clara. Segundo eles, o liquidante da instituição financeira estaria tentando levantar dados de forma indiscriminada, sem demonstrar conexão direta entre os bens investigados e o processo de liquidação.
Entre os exemplos citados estão questionamentos enviados a empresas do setor de aviação sediadas nos Estados Unidos, que foram instadas a informar eventuais negociações envolvendo aeronaves atribuídas ao banqueiro. Parte desses ativos, de acordo com a defesa, sequer havia sido anteriormente relacionada ao seu patrimônio.
Em decisão inicial, o juiz Scott M. Grossman manteve a maior parte das intimações, suspendendo apenas casos pontuais. Entre eles, pedidos direcionados a um banco em Nova York — por restrições territoriais da legislação americana — e a empresas ligadas a um imóvel já alvo de outra ação judicial. O magistrado indicou que esse tipo de investigação é permitido pela regra 2004 do sistema falimentar dos EUA, que admite apurações amplas para localizar ativos.
A defesa de Vorcaro também argumenta que a coleta dessas informações expõe dados sensíveis e de caráter privado, que, uma vez compartilhados, podem ser enviados ao Brasil e incorporados a procedimentos administrativos fora do alcance da Justiça americana.
Com a contestação apresentada, o tribunal deverá reavaliar tanto um primeiro conjunto de intimações quanto novos pedidos que incluem apurações sobre imóveis de alto padrão nos Estados Unidos. O desfecho pode definir os limites da cooperação internacional na busca por bens ligados ao caso.