Durante o programa ALive desta segunda-feira (27), o apresentador Claudio Dantas afirmou que o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), pré-candidato à Presidência, “acertou” e foi “bem demais” em críticas recentes ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas que “acerta em partes” na agenda econômica.
Em vídeo divulgado ontem (26) nas redes sociais, o político mineiro defendeu a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil (BB) caso seja eleito presidente.
Segundo Dantas, a proposta de Zema de “privatizar tudo” representa uma “agenda importada lá da década de 90, dos neoliberais” e já foi adotada no Brasil com resultados mistos. Afirmou ainda que o modelo trouxe “muitos avanços” e “consequências positivas”, mas também foi marcado por problemas como a “privataria”, definida por ele como “problema do nosso sistema que consegue deturpar qualquer modelo de negócio”.
“Privataria” é um termo usado para descrever processos de privatização com suspeitas de irregularidades, falta de transparência e favorecimento em negociações de ativos públicos.
“A gente hoje tem celular, mas os problemas seguem, os problemas continuam e muita gente ganhou muito dinheiro [com privatizações], inclusive uma das maiores operadoras que hoje está aí em regime falimentar que é a Oi”, afirmou Dantas.
Ao comentar o caso da Oi, o apresentador afirmou que a empresa surgiu de uma “negociata política que permitiu a fusão de duas outras operadoras com o aval do Lula e essa empresa, esse grupo, essa gigante nacional, essa super tele botou dinheiro depois na empresa do filho do presidente Lula, do Lulinha”.
“Então isso aqui é só para sintetizar como é que se dão os processos aqui de privatização no Brasil, mesmo aqueles que a gente pode olhar como bem-sucedidos, nós temos também vários outros mal-sucedidos”, completou o jornalista.
Para Dantas, o problema não está na privatização em si, mas em um “problema cultural” de corrupção no país. Disse ainda que esquemas envolvendo Executivo e grandes empresários fazem parte de uma “distorção do capitalismo”: “A gente costuma chamar de capitalismo do compadrio, mas isso é corrupção, isso é você crescer nas barbas do Estado, o nosso sistema econômico é esse”.
“Então eu realmente aqui me pergunto se mudou alguma coisa, 20, 30, 40 anos, porque o sistema permanece o mesmo, e aí quando essas soluções são sacadas da cartola, vamos privatizar tudo, parece solução, mas privatizar de que, de quem, para quem? Vamos entregar Petrobras para quem, para a JBS ou para o BTG, ou quem sabe para o Itaú?”, completou Dantas, em tom crítico.
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