Material do Ministério da Saúde chama atenção pela forma de abordagem e usa expressões neutras, como ‘pessoas que gestam’
A nova versão da Caderneta da Gestante, lançada pelo governo Lula da Silva na terça-feira 12, passou a ser alvo de críticas de grupos conservadores e movimentos pró-vida depois incluir referências ao aborto e utilizar a expressão “pessoas que gestam” em alguns trechos do material.
Segundo reportagem do jornal Gazeta do Povo, opositores à forma de abordagem afirmam que o documento adota linguagem alinhada a pautas defendidas por movimentos progressistas e organismos internacionais ligados à saúde reprodutiva.
Lula: ideologia de gênero
A caderneta foi lançada pelo Ministério da Saúde em versão física e digital. O material propõe facilitar o acompanhamento das informações do pré-natal, do parto e do pós-parto, além de reunir orientações sobre saúde mental, violência obstétrica, luto materno e direitos das gestantes.
Entre os pontos que provocaram maior repercussão está a inclusão de perguntas relacionadas a abortos anteriores no histórico clínico das pacientes. O documento também utiliza, em determinados trechos, expressões neutras em relação a gênero, como “pessoa gestante” e “pessoas que gestam”.
Parlamentares conservadores e ativistas pró-vida criticaram a formulação adotada pelo ministério, alegando que o texto relativiza a maternidade e normaliza pautas ligadas à descriminalização do aborto.
Integrantes do governo e especialistas em saúde pública dizem, por sua vez, que a linguagem busca ampliar o acolhimento em políticas públicas e garantir atendimento mais inclusivo dentro do Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde afirma ainda que informações sobre abortos anteriores fazem parte do histórico médico utilizado tradicionalmente no acompanhamento pré-natal.