A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta manhã (20) durante operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado do maior grupo narcoterrorista do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane é suspeita de manter vínculos com uma estrutura financeira usada pela cúpula do grupo para movimentar recursos ilícitos por meio de uma transportadora de valores do interior paulista. Ela foi detida em Barueri (SP), pouco depois de retornar de viagem à Itália.
A ofensiva também teve como alvo Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do PCC, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, líder máximo da facção que atualmente está em Madri. Ambos foram presos.
A Operação Vérnix ainda mira Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do chefe do grupo narcoterrorista. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão. Também foi emitido mandado contra Marcola, que já cumpre pena no sistema prisional federal.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados. Desse total, R$ 27 milhões atingem diretamente Bezerra.
A ação deflagrada hoje é desdobramento de apurações iniciadas em 2019, após a apreensão de bilhetes escritos por detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou informações sobre a estrutura interna do PCC e possíveis planos de ataques contra agentes públicos.
Durante a apuração, investigadores identificaram referências a uma “mulher da transportadora”, suspeita de levantar endereços de servidores para auxiliar ações do grupo narcoterorista.
A partir daí, a Polícia Civil chegou a uma transportadora localizada em Presidente Venceslau, apontada pela Justiça como peça central de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A etapa seguinte da investigação revelou movimentações milionárias incompatíveis com a capacidade financeira declarada da empresa.
Em outra fase da operação, a análise de mensagens encontradas em celulares apreendidos revelou indícios de repasses financeiros para Deolane e relação próxima dela com um dos operadores da transportadora investigada. Segundo a investigação, a advogada passou a ocupar “posição central” no caso após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado, além da compra de bens de luxo e recebimentos sem origem esclarecida.
Os investigadores afirmam que a estrutura empresarial, a exposição pública dos envolvidos e a circulação de valores milionários eram usadas para ocultar a origem ilícita do dinheiro movimentado pelo PCC.
Quebras de sigilo bancário e fiscal apontaram, segundo a Polícia Civil, fluxo elevado de recursos sem lastro financeiro compatível, uso de contas de passagem e operações envolvendo empresas sem capacidade econômica aparente.
Nesta nova fase da Operação Vérnix, deflagrada hoje, as autoridades tentam aprofundar o rastreamento de uma rede de lavagem de capitais com ramificações empresariais e patrimoniais. Além das prisões, foram apreendidos 17 veículos, incluindo carros de luxo.