Home Nóticias Vorcaro manipulava avaliações do aplicativo do Master – Paulo Figueiredo

Vorcaro manipulava avaliações do aplicativo do Master – Paulo Figueiredo

by admin
0 comentário


Relatório da PF detalha como banqueiro do Master inflou notas de aplicativo e comentários positivos na imprensa

O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, coordenou uma campanha para manipular avaliações do aplicativo da instituição e ampliar comentários positivos sobre sua imagem em publicações da imprensa, segundo relatório da Polícia Federal que integra investigação em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).

O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso. Depois, o magistrado restabeleceu o sigilo do processo. As informações foram reveladas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.

Segundo a investigação, a prática se soma a outras condutas atribuídas a Vorcaro, como a obtenção de acesso a inquéritos sob sigilo, a encomenda de dossiês contra concorrentes, tentativas de intimidação e a oferta de apartamentos e viagens de jatinho a lideranças políticas de diferentes espectros.

NOTAS FALSAS E COMENTÁRIOS FABRICADOS

As mensagens obtidas pela PF indicam que Vorcaro contou com a ajuda de Luiz Phillipi Mourão, identificado nos autos pelo codinome “Sicário”, para executar a estratégia.

Em 20 de dezembro de 2023, Mourão alertou o banqueiro sobre as notas baixas do aplicativo do Banco Master. Capturas de tela enviadas a Vorcaro mostravam avaliações de 3,1 estrelas na Apple App Store e de 2,2 estrelas no Google Play.

Vinte dias depois, em 9 de janeiro de 2024, Mourão informou que a nota na App Store havia subido de 3,1 para 4,1 estrelas. No período, foram registradas 81 novas avaliações. A investigação afirma que não foi possível identificar quantas delas foram produzidas artificialmente.

Para a PF, as mensagens indicam uma estratégia deliberada para influenciar a percepção do público. “Tais ações evidenciam uma estratégia coordenada de fabricação de reputação digital, que não reflete a experiência real dos usuários, mas sim um esforço deliberado para influenciar a opinião pública e melhorar artificialmente a imagem empresarial do banqueiro”, diz o relatório.

A estratégia também teria sido aplicada em reportagens da revista IstoÉ. Em 6 de abril de 2024, Mourão informou a Vorcaro que passaria a publicar comentários positivos em uma reportagem da revista. Segundo a investigação, os perfis usados tinham pouca atividade, poucas fotos e baixo engajamento nas redes sociais.

Entre os comentários reproduzidos pela PF estão frases como “Acensão (sic) astronômica desse empresário”“Cada palavra desse cara vale ouro” e “Parabéns ao empresário”. Quando Mourão perguntou se faria “uns 100 comentários em cada” publicação, Vorcaro respondeu:

“Não precisa isso tudo. E não precisa forçar demais no positivo. Fazer mais natural. Sem elogio demais.”

COBERTURA POSITIVA E AVALIAÇÕES

A investigação também aponta uma estratégia para impulsionar resultados positivos nos mecanismos de busca. Em 24 de janeiro de 2024, Mourão escreveu a Vorcaro:

“Estamos subindo matérias positivas no Google, com isso desbancamos matérias negativas. Estamos subindo as reviews e avaliações do banco no Google Meu Negócio, Apple App Store, Google Play Store.”

Dias antes, Mourão havia informado que “31 matérias positivas” tinham sido publicadas e que 7 delas já apareciam na 1ª página do Google.

Segundo a PF, o Brazil Journal também foi alvo da estratégia. Vorcaro teria pedido a publicação de comentários elogiosos em uma postagem do veículo no mesmo dia em que foi publicada uma reportagem sobre o banqueiro.

A chamada “operação maquiagem”, nome dado pela PF à estratégia, voltou a aparecer quando o Brazil Journal publicou no Instagram uma reportagem sobre a compra do Will Bank pelo Banco Master. Depois de Mourão informar que estava “subindo os comentários”, Vorcaro respondeu:

“Pede para os comentários não serem só muito bons não. Que dá na cara demais kkkk.”

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. Em janeiro de 2026, adotou a mesma medida em relação ao Will Bank.

Thiago Miranda, dono da agência Mithi e apontado pela investigação como responsável por auxiliar Vorcaro na articulação de um conglomerado de mídia que incluiria o Brazil Journal e a IstoÉ, foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na 5ª feira (9.jul.2026).

Crédito Poder360



Source link

You may also like

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO