O ALive desta segunda-feira (20) recebeu Marcos Troyjo, economista, cientista político e diplomata que atuou como secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais durante o governo Bolsonaro. Durante o programa, ele abordou o tarifaço confirmado pelos EUA sobre produtos brasileiros na semana passada e o próximo que deve ser anunciado nesta semana.
Segundo ele, o governo Lula (PT) “não fez nada” quando recebeu a notícia da primeira onda de tarifas do governo Trump no ano passado, que acabou sendo derrubada pela Justiça norte-americana: “Talvez tenha achado que era uma alíquota pequena comparada com a de outros países”. Até que chegou o novo tarifaço dos últimos dias.
De acordo com o economista, a nova onda de tarifas de Trump não é algo focado no Brasil, mas afeta, na verdade, mais de 80 “Estados soberanos”. A diferença, segundo Troyjo, é a “maneira” como o governo brasileiro tratou o tarifaço: “Todos eles [outros países afetados] buscaram algum tipo de contato com a alta administração americana, com o representante comercial, com a própria Casa Branca”.
“De todas as maiores economias do mundo, as chamadas economias do G20, o Brasil foi o último país a ter qualquer tipo de contato com a Casa Branca nesse sentido. Foi aquele que menos negociou”, afirmou Troyjo.
“Se você levar em consideração esse mandato mais recente do lulopetismo no Brasil, um site conhecido de notícias mostrou que 62 vezes o presidente da República fez referências negativas, derrogatórias à administração americana, inclusive durante a própria campanha presidencial dos Estados Unidos”, continuou o economista.
“O atual presidente do Brasil, durante a campanha presidencial nos Estados Unidos, não apenas manifestou predileção por um dos candidatos, no caso a candidata democrata, Kamala Harris, o que já vai contra a tradição diplomática brasileira, que é mostrar neutralidade e independência, mas também chegou a dizer que, se caso Trump fosse eleito, isso representaria a volta do fascismo ao mundo com uma outra cara”, prosseguiu.
Troyjo relembrou também que Lula não age “apenas contra o presidente Trump, mas contra várias frentes da administração americana”, como o secretário de Estado, Marco Rubio. O petista o chamou de “latino-americano frustrado”.
“Nós [Brasil e EUA] deveríamos estar fazendo coisas juntas, não [Lula] ficar arrumando chifre em cabeça de cavalo”, disse o economista sobre o petista. Afirmou também que existe uma “inação”, “incompetência” e “inabilidade” por parte do presidente: “Uma verborragia absolutamente improdutiva para o Brasil”.
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