O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes classificou há pouco como “bug” e “pegadinha” o episódio que levou o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a aparecer como filiado ao Missão, partido do MBL. A declaração foi dada em entrevista ao canal TMC 360.
Segundo Gilmar, o caso foi uma “pane” sem relação com a segurança do sistema eleitoral do Brasil. “Acho que foi uma pane mesmo, alguma coisa indevida que nada tem a ver com a integridade do nosso sistema eleitoral”, disse o ministro. “Os jovens diriam: ‘Isso foi uma pegadinha, né?’ Um bug”.
A filiação de Flávio ao Missão surgiu no sistema da Justiça Eleitoral e impediu temporariamente o registro de sua candidatura à Presidência. O senador afirmou que a alteração havia sido “fraudada” com o objetivo de barrar sua candidatura e acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para resolver o caso.
A Corte informou que não houve invasão do sistema. Segundo o TSE, o registro ocorreu por “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais” do Missão “para efetivar filiações”.
O presidente do TSE, Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral e determinou a abertura de investigação pela Polícia Judiciária. Também recolocou Flávio no PL.
O Missão também declarou ter sido alvo de uma tentativa de filiação fraudulenta. A legenda afirmou que identificou a irregularidade e comunicou o gabinete de Flávio. De acordo com o partido, uma tentativa de cancelar a filiação no mesmo dia foi rejeitada pelo sistema da Corte Eleitoral.
Gilmar defendeu ainda, durante a entrevista, que o episódio envolvendo o candidato à Presidência não seja usado para colocar em dúvida a confiabilidade da estrutura eleitoral. “Acho que a gente tem que repetir isso até o limite: nós temos o sistema mais confiável do mundo”, afirmou.
O ministro também reconheceu que sistemas eletrônicos podem apresentar falhas. “Todos nós estamos suscetíveis a essas armadilhas que a eletrônica nos pespega”, disse.