O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (15), no âmbito da investigação sobre as operações entre o banco público e o Banco Master. O interrogatório começou às 9h e foi o primeiro do ex-dirigente desde sua prisão preventiva, em 16 de abril.
A oitiva ocorreu presencialmente na Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Os investigadores buscam esclarecer as negociações envolvendo as duas instituições financeiras e a relação entre Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master.
Segundo a investigação, operações envolvendo a compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas teriam causado prejuízos estimados em R$ 12 bilhões. A PF também apura suspeitas de pagamento de propina a Costa por meio de seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo. A contrapartida, segundo mensagens encontradas no celular de Vorcaro, chegaria a R$ 150 milhões.
As suspeitas ainda são objeto de investigação, e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos depende da apuração e do devido processo legal.
Vorcaro será ouvido à tarde
Vorcaro está previsto para prestar depoimento presencial às 14h desta quinta-feira, também sobre as negociações com o BRB. A oitiva havia sido adiada duas vezes após a defesa do banqueiro alegar que não teve acesso aos autos em condições de preparar o interrogatório.
A PF tenta avançar no chamado inquérito-mãe do caso Master, que concentra apurações sobre as suspeitas de fraudes financeiras e as operações que envolveram a instituição privada e o banco público do Distrito Federal.
Ex-sócio de Vorcaro depõe na sexta-feira
A Polícia Federal também marcou para sexta-feira (16) o depoimento de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. A oitiva estava pendente desde agosto, após adiamentos.
Lima foi preso em novembro de 2025, na primeira fase da operação, que investiga suspeitas de emissão e negociação de títulos de crédito fraudulentos. Ele foi solto no dia 29 daquele mês, por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A investigação também examina a relação entre Lima e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Relatórios da PF registraram 74 ligações entre os dois, realizadas de novembro de 2023 a maio de 2025, com duração acumulada superior a cinco horas e meia.
Os investigadores analisam ainda mensagens e registros relacionados ao oferecimento de aeronaves particulares para deslocamentos do senador e de familiares, além de referências a ingressos para shows e a um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. Esses elementos integram as apurações sobre as relações do empresário e de pessoas próximas ao senador com o Banco Master.