O governo Lula (PT) concedeu garantia de R$ 7 bilhões para um empréstimo de um consórcio de bancos aos Correios, como parte do plano de reestruturação da estatal para o período de 2025 a 2027. A medida foi formalizada após o 2º turno das eleições presidenciais, em despacho do ministro da Fazenda, Dario Durigan, publicado no Diário Oficial da União (DOU).
O consórcio é formado por ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JPMorgan. Com a garantia, o Tesouro Nacional se compromete a cobrir as parcelas da dívida caso os Correios não cumpram suas obrigações financeiras.
A operação já havia sido mencionada nas demonstrações financeiras da estatal referentes ao primeiro semestre de 2026, divulgadas no fim de agosto. Em setembro, os Correios esperavam concluir o empréstimo ainda naquele mês, o que não ocorreu. A empresa também confirmou o compromisso do governo federal de aportar R$ 6 bilhões até o fim de 2027.
Os Correios acumulam 15 trimestres consecutivos de resultados negativos. No primeiro semestre de 2026, a estatal registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões. O resultado do segundo trimestre foi menos negativo do que o observado nos dois trimestres anteriores, o primeiro de 2026 e o quarto de 2025, indicando uma possível melhora na situação financeira da empresa. Ainda assim, a estatal registrou prejuízo recorde no primeiro trimestre deste ano.
O desempenho dos Correios contribuiu para o déficit das empresas estatais federais, que somou R$ 6,51 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, segundo dados do Banco Central. O resultado é o maior para o período e se aproxima do recorde anual de déficit, de R$ 6,73 bilhões, registrado em 2024.
Para enfrentar as dificuldades financeiras, o governo autorizou, em maio deste ano, que os Correios passassem a vender seguros e títulos de capitalização, além de atuar no mercado de telefonia. A proposta prevê a celebração de convênios com instituições financeiras para oferecer esses serviços.
Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a estatal executa um plano de reequilíbrio financeiro e reestruturação.
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