GENEBRA – O chefe da Organização Mundial da Saúde disse na quarta-feira que convocará um grupo de especialistas para determinar se a crescente disseminação do vírus mpox na África justifica ser declarada uma emergência global.
Em uma coletiva de imprensa em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que, dada a crescente disseminação de casos de mpox para além do Congo, ele decidiu pedir a especialistas independentes que aconselhem a OMS “o mais rápido possível”.
Semana passada, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África relataram que a mpox, também conhecida como varíola dos macacos, foi detectada em 10 países africanos este ano, incluindo o Congo, que tem mais de 96% de todos os casos e mortes. Comparado com o mesmo período do ano passado, a agência disse que os casos aumentaram 160% e as mortes saltaram 19%.
Autoridades do CDC África disseram que quase 70% dos casos no Congo são em crianças menores de 15 anos, que também foram responsáveis por 85% das mortes.
A varíola foi relatada pela primeira vez na semana passada no Burundi e em Ruanda, enquanto outros países, incluindo Quênia e República Centro-Africana, também identificaram casos.
Tedros, da OMS, disse que a agência liberou US$ 1 milhão de seu fundo de emergência para apoiar a resposta à varíola dos macacos, também conhecida como mpox.
No início deste ano, cientistas relataram o surgimento de uma nova forma da versão mais mortal do mpox, que pode matar até 10% das pessoas, em uma cidade mineradora congolesa que eles temiam que pudesse se espalhar mais facilmente entre as pessoas. O mpox se espalha por meio de contato próximo com pessoas infectadas, inclusive por meio do sexo.
Em 2022, a OMS declarou que o mpox é uma emergência global depois de se espalhar para mais de 70 países, afetando principalmente homens gays e bissexuais. Antes disso surtoa doença foi observada principalmente em epidemias esporádicas na África Central e Ocidental, quando pessoas entraram em contato com animais infectados.
Os países ocidentais conseguiram conter a disseminação da mpox com a ajuda de vacinas e tratamentos, mas muito poucos deles estão disponíveis na África.
Maria Van Kerkhove, que lidera o departamento de surtos da OMS, disse que há inúmeras questões preocupantes na epidemia de mpox na África e pediu uma resposta mais urgente.
“Não queremos que o mundo fique sentado, assistindo e esperando”, ela disse. “A hora (de agir) é agora.”
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