CARACAS, Venezuela (AP) — A Suprema Corte da Venezuela apoiou as alegações do presidente Nicolás Maduro de que ele venceu a eleição presidencial do mês passado e disse que as apurações de votos publicadas online mostrando que ele perdeu por uma margem esmagadora foram forjadas.
A decisão é a mais recente tentativa de Maduro de conter os protestos e as críticas internacionais que eclodiram após a contestada votação de 28 de julho, na qual o autoproclamado líder socialista buscava um terceiro mandato de seis anos.
O tribunal superior está lotado de apoiadores de Maduro e quase nunca decidiu contra o governo.
A decisão, lida na quinta-feira em um evento com a presença de altos funcionários e diplomatas estrangeiros, veio em resposta a um pedido de Maduro para revisar os totais de votos que ele alegou — sem evidências — terem sido manchados por um ataque cibernético estrangeiro organizado por hackers da Macedônia do Norte.
A principal coalizão de oposição acusou Maduro de tentar roubar votos.
Graças a um excelente jogo de campo no dia da eleição, os voluntários da oposição conseguiram coletar cópias das contagens de votos de 80% das 30.000 cabines de votação em todo o país e que mostram que o candidato da oposição Edmundo González venceu por uma margem de mais de 2 para 1. As folhas de contagem oficiais impressas por cada máquina de votação carregam um código QR que facilita a verificação dos resultados por qualquer pessoa e são quase impossíveis de replicar.
A decisão do tribunal superior certificando os resultados contradiz as conclusões de especialistas das Nações Unidas e do Carter Center que foram convidados a observar a eleição e que ambos determinaram que os resultados anunciados pelas autoridades não tinham credibilidade. Especificamente, os especialistas externos notaram que as autoridades não divulgaram um detalhamento dos resultados por cada uma das 30.000 cabines de votação em todo o país, como fizeram em quase todas as eleições anteriores.
González foi o único dos 10 candidatos que não participou da auditoria da Suprema Corte, fato apontado pelos ministros, que em sua decisão o acusaram de tentar semear o pânico.
Vários governos estrangeiros, incluindo o dos EUA e vários aliados esquerdistas de Maduro, pediram às autoridades que divulgassem o detalhamento completo dos resultados.
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