Home Nóticias Braga Netto comunica a Alexandre de Moraes que a prisão se apoia em conclusões ‘ilógicas’

Braga Netto comunica a Alexandre de Moraes que a prisão se apoia em conclusões ‘ilógicas’

by admin
0 comentário


A defesa de Walter Braga Netto rebateu nesta segunda-feira o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR)que defendeu que a prisão do general seja mantida e afirmou ao ministro Alexandre de Moraes que a PGR se baseia em “mera presunção” de que ele está obstruindo as investigações.

Para os advogados do ex-ministro da Defesa e da Casa Civil do governo Bolsonaro, o órgão chefiado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, não demonstrou “concretamente” os riscos de o general atrapalhar o aprofundamento das investigações de uma trama golpista para impedir a posse do presidente Lula.

Em um memorial protocolado na noite desta segunda-feira (23) no STF, a defesa do general, capitaneada por José Luis Oliveira Lima, diz que não há elementos de prova “minimamente confiáveis” para corroborar a conclusão da Polícia Federal de que Braga Netto teria agido para “obter dados sigilosos, controlar o que seria repassado a investigação, e, ao que tudo indica, manter informado os demais integrantes da organização criminosa”.

Braga Netto foi preso em 14 de dezembro por determinação de Moraes, sob a alegação de que atuou de forma “dolosa” para obstruir as investigações sobre a trama golpista para manter Bolsonaro no poder. Em parecer enviado ao STF, a PGR defendeu a manutenção da prisão preventiva.

Para os advogados, não há qualquer ato de interferência, manipulação ou obstrução das investigações” – e além disso, os “fatos que deram ensejo às investigações são antigos”, ou seja, não seriam contemporâneos, o que afastaria a necessidade de prisão preventiva.

Veja quem são os indiciados pela Polícia Federal

“O risco que justificaria a prisão preventiva é mera presunção de que as condutas criminosas – genericamente – poderiam ser reiteradas. Sem qualquer indicação concreta de reiteração recente”, rebate Oliveira Lima, advogado que assumiu recentemente o caso.

Em depoimento à PF, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, afirmou que Braga Netto tentou obter informações sobre a sua delação por meio do seu pai, o general Mauro César Lourena Cid.

Em entrevista ao blog na semana passada, o criminalista disse que não “existe a menor possibilidade” de delação premiada por parte do general, porque “não tem o que delatar”.

Documento na sede do PL
Um dos pontos destacados pela PF para justificar a prisão de Braga Netto é um documento apreendido na sede do Partido Liberal, em Brasília, que descreve perguntas e respostas relacionadas ao acordo firmado entre Mauro Cid e a própria PF. O documento foi encontrado na mesa do coronel Flávio Peregrino, auxiliar de Braga Netto, que na época trabalhava na sede da legenda.

“Para a autoridade policial, o fato de Flávio ser assessor do agravante (Braga Netto), somado a uma equivocada interpretação de que o documento daria ‘ênfase sobre qual seria a participação de Braga Netto na trama delitiva’ resultou na incoerente conclusão de que o referido documento indicaria ‘que o indiciado tentou obter dados sigilosos da colaboração’”, diz a defesa do general.

Entre as anotações do documento estão as frases “Não falou nada sobre o Gen Heleno e BN” e “GBN não é golpista, estava pensamento democrático de transparência das urnas” – a sigla BN e GBN se referiam ao general, segundo a PF.

O documento também traz os trechos “Perguntaram sobre o Flávio B: aliviou” e “não falou nada sobre os Gen Heleno e BN”, mas a defesa de Braga Netto sustenta que o texto “não é capaz de indicar que as ‘respostas em vermelho’ teriam vindo do próprio Mauro Cid.

Minuta golpista

Na defesa, os advogados de Braga Netto chamam o papel de “frágil documento”, e destacam o fato de que as siglas que se referem ao general (“BN” ou “GBN”) apenas aparecem duas vezes. Os advogados também alegam que, muito antes de o documento ser apreendido na sede do PL, o conteúdo da delação de Mauro Cid “havia sido amplamente vazado e divulgado pela imprensa”.

“Da leitura do documento apreendido pela Polícia Federal, percebe-se evidente similaridade às diversas notícias que foram amplamente divulgadas na imprensa”, afirmam os advogados, alegando que o documento “mais se assemelha a um resumo das notícias amplamente veiculadas pela imprensa”.

“As conclusões da Polícia Federal para usar o documento como prova apta a prisão cautelar são suposições ilógicas e desconectadas da realidade”, acrescenta.

‘Dinheiro do agronegócio’
Em depoimento prestado à Polícia Federal, o tenente-coronel Mauro Cid também afirmou que o dinheiro entregue por Braga Netto em uma caixa de vinho, para financiar o plano para matar autoridades, “foi obtido junto ao pessoal do agronegócio.

“Além da falta de credibilidade, o depoimento de Mauro Cid – que a Defesa só conhece os trechos citados pela polícia – é precário, genérico e inexato. Mauro Cid não foi capaz de dizer a data (“alguns dias depois da reunião”) e também não sabe dizer o local (“no Palácio do Planalto ou da Alvorada”) da suposta entrega de dinheiro. As contraditórias e genéricas palavras do colaborador também não foram objeto da imprescindível corroboração probatória”, sustenta a defesa.

Fonte: O Globo



Source link

You may also like

Design sem nome (84)

Sua fonte de notícias para brasileiros nos Estados Unidos.
Fique por dentro dos acontecimentos, onde quer que você esteja!

TV BRAZIL USA- All Right Reserved. Designed and Developed by STUDYO YO