Em um movimento que promete reconfigurar as dinâmicas geopolíticas na América Latina, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) para discutir questões cruciais de migração e o mercado de drogas. No entanto, as declarações de Petro foram além desses tópicos, sugerindo uma possível insurgência contra os Estados Unidos e um alinhamento mais próximo com potências como China e Rússia.
Petro, em sua declaração, criticou o que ele percebe como um “bloqueio” econômico e diplomático por parte dos Estados Unidos e expressou uma visão de resistência e independência. Ele afirmou: “Se não nos querem no norte, o sul deve se unir”, indicando uma estratégia de fortalecimento dos laços entre os países da América Latina e do Caribe, possivelmente como uma frente unificada contra as políticas norte-americanas.
A insatisfação de Petro é evidente em suas críticas ao apoio que países como a Alemanha, França, a União Europeia, o Reino Unido, e especialmente os Estados Unidos, têm dado a ações que ele descreve como “genocídio e bombardeamento de civis”, referindo-se ao conflito em Gaza. Esta crítica serve como uma justificativa para sua postura de buscar alianças alternativas.
A proposta de Petro de aproximar a CELAC da China e da Rússia não é nova, mas ganha novos contornos em um contexto onde países latino-americanos estão cada vez mais buscando diversificar suas parcerias econômicas e diplomáticas. A China, por exemplo, tem investido pesadamente na região, especialmente através da iniciativa do Cinturão e Rota, enquanto a Rússia tem mantido alianças estratégicas com alguns Estados, como Venezuela e Cuba.
Durante a última cúpula da CELAC, houve discussões sobre a formação de um “polo de poder” em oposição ao domínio ocidental, com líderes como Nicolás Maduro da Venezuela e Miguel Díaz-Canel de Cuba falando sobre a necessidade de um mundo multipolar, onde países como China e Rússia teriam um papel mais proeminente.
Petro, ao propor essa reunião, parece estar alinhando-se com esta visão de uma América Latina pró-autoritária de países que tem regimes ditatoriais e que desdenham de democracias.