BUENOS AIRES – Presidente argentino Javier Milei chegou quinta-feira a Paris, informou seu gabinete, onde deve se encontrar com o presidente francês Emanuel Macron depois que as tensões aumentaram entre seus países por causa dos cânticos depreciativos da seleção argentina de futebol sobre os jogadores franceses após as partidas.
Um pequeno clipe capturado durante Vitória da Argentina na Copa América celebrações em Miami no início deste mês mostram jogadores argentinos triunfantes cantando uma música considerada racista para jogadores franceses de ascendência africana. “Eles jogam pela França, mas seus pais são de Angola”, diz o refrão, com algumas calúnias transfóbicas misturadas.
Autoridades francesas castigaram os atletas argentinos no vídeo ao vivo do Instagram postado pelo meio-campista Enzo Fernandez, que se desculpou publicamente. A federação francesa de futebol entrou com uma queixa legal sobre os “comentários racistas e discriminatórios inaceitáveis”. O clube inglês de Fernandez, o Chelsea, iniciou um procedimento disciplinar interno.
A censura do mundo do futebol se transformou em um escândalo político na semana passada, quando a vice-presidente conservadora da Argentina, Victoria Villarruel, defendeu Fernández e o time, dizendo que a Argentina não toleraria críticas de um país “colonialista”.
Em uma publicação amplamente compartilhada nas redes sociais, ela insistiu que a Argentina não era um país racista porque, diferentemente da França, “nós nunca tivemos colônias ou cidadãos de segunda classe. Nós nunca impusemos nosso modo de vida a ninguém.”
“Chega de fingir indignação, hipócritas”, acrescentou.
Diplomatas franceses em Buenos Aires estavam fervendo.
O presidente Milei, um populista de direita, tentou caminhar em uma linha tênue — acenando para a onda de nacionalismo que impulsiona a seleção argentina enquanto tenta conter a reação diplomática. Já os ataques retóricos de Milei aos líderes e o entusiasmo pela extrema direita provocou disputas diplomáticas com Aliados históricos da Argentina e grandes investidores estrangeiros, Brasil e Espanha.
Na semana passada, Milei removeu o subsecretário de esporte, Julio Garro, de seu posto por solicitar que o capitão do time, Lionel Messi, pedisse desculpas pelos cânticos. “Nenhum governo pode dizer à seleção argentina, campeã mundial e bicampeã da Copa América, o que comentar, o que pensar ou o que fazer”, disse o gabinete de Milei na época.
Mas, mais recentemente, o porta-voz de Milei, Manuel Adorni, tentou distanciar o presidente do que ele chamou de comentários “pessoais” e “infelizes” de Villarruel.
Ele disse que Karina Milei, irmã e secretária-geral do presidente, assumiu a responsabilidade de desmentir a declaração do vice-presidente em uma reunião com o embaixador francês na semana passada.
“É um comentário que não representa a opinião do governo”, disse Adorni sobre a postagem de Villarruel. “As relações com a França estão intactas.”
A controvérsia aumentou na quarta-feira quando o caos tomou conta da partida olímpica de futebol masculino entre Argentina e Marrocos, com torcedores invadindo o campo e atirando garrafas em protesto contra um gol tardio da Argentina e o reinício do jogo quase duas horas depois de aparentemente ter terminado.
“A Argentina é inimiga na França”, foi a manchete de quinta-feira no jornal argentino Clarín, citando as vaias e vaias ensurdecedoras que saudaram o hino nacional argentino.
Reforçando sua mensagem nacionalista, a vice-presidente Villarruel postou imagens dos jogadores argentinos se esquivando de garrafas de torcedores marroquinos em campo.
“Embora nos insultem e assobiam nosso hino, a Argentina está destinada à grandeza”, ela escreveu. “Viva a Argentina!”
A presidência argentina disse que, além de se encontrar com Macron e outras autoridades francesas no Palácio do Eliseu na sexta-feira, Milei compareceria à cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2024 e conversaria com líderes empresariais franceses.
As reuniões focadas em investimentos ocorrem no momento em que a Argentina busca fazer lobby para obter apoio dos principais acionistas da Fundo Monetário Internacional, incluindo França e EUA, para chegar a um novo acordo para fundos extras.
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