Casa Nóticias Novo depoimento de testemunha à PF confirma relação de Lulinha com “Careca do INSS” – Paulo Figueiredo

Novo depoimento de testemunha à PF confirma relação de Lulinha com “Careca do INSS” – Paulo Figueiredo

por admin
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A publicitária Danielle Miranda Fonteles confirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, participou de viagens e visitas a instalações industriais em Portugal ligadas a um projeto empresarial conduzido por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O conteúdo de seu depoimento foi revelado pela revista Veja e confirmado pela Gazeta do Povo. Segundo Danielle, que prestava consultoria ao empresário, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente em agendas relacionadas à implantação de uma fábrica de produtos à base de cannabis no país europeu.

De acordo com o relato prestado à PF, Lulinha teria participado das visitas como convidado de Antunes, apontado pelos investigadores como figura central no esquema que desviou bilhões em recursos de aposentados e pensionistas. A consultora afirmou, porém, que ele não costumava participar ativamente das negociações nem desempenhava papel operacional nos encontros realizados durante as visitas técnicas.

Danielle relatou ainda que se mudou para Portugal em 2019 e passou a atuar na gestão de negócios de brasileiros interessados em empreender na Europa. Foi nesse contexto que conheceu Antunes e passou a colaborar na estruturação de projetos empresariais ligados ao setor farmacêutico. Ela declarou à Polícia Federal que recebia remuneração mensal pelo trabalho de consultoria e negou ter sociedade com o empresário.

A publicitária também foi questionada sobre transferências financeiras recebidas de empresas ligadas ao “Careca do INSS”. Segundo a versão dela, os valores teriam origem em uma negociação imobiliária firmada com Antunes. O depoimento passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela PF no âmbito das investigações sobre as fraudes bilionárias no INSS.

A defesa de Lulinha reforçou que a participação na viagem já era de conhecimento público e ocorreu em período anterior ao surgimento das suspeitas envolvendo Antunes. Os advogados sustentam que o filho do presidente não possui qualquer vínculo com os negócios investigados, negam que ele tenha recebido recursos do empresário ou de suas empresas e afirmam que o depoimento reforça a inexistência de envolvimento de Fábio Luís em irregularidades apuradas pelas autoridades.

A informação prestada pela publicitária à PF, no entanto, confirma algumas suspeitas de proximidade entre Lulinha e o “Careca do INSS”.

Em março, a Gazeta do Povo publicou que o pagamento de passagens aéreas e despesas de hospedagem em Portugal a Lulinha pelo lobista passou a integrar uma das frentes de interesse das investigações conduzidas pela PF e chegou a ser alvo de apuração da CPMI que tratava das fraudes bilionárias do INSS. A CPMI chegou ao fim sem avançar sobre essa frente investigativa.

Embora o filho do presidente Lula não figure formalmente como investigado, o nome dele apareceu em depoimentos, registros de viagens e documentos analisados pelos investigadores.

Como foi a viagem de Lulinha e o Careca do INSS a Portugal

De acordo com informações atribuídas a pessoas próximas de Lulinha, ele teria viajado para Portugal em novembro de 2024, em classe executiva, com despesas pagas pelo “Careca do INSS”. O objetivo da visita seria conhecer instalações voltadas à produção de cannabis medicinal na região de Aveiro.

A versão da defesa de Lulinha e das pessoas ao entorno dele sustenta que não houve participação em negócios nem recebimento de valores ligados ao esquema investigado.

Documentos apreendidos pela PF indicam que o “Careca do INSS” negociava a aquisição de um imóvel industrial em Portugal para implantar um empreendimento ligado à produção de cannabis.

O local seria o mesmo visitado durante a viagem. As negociações ultrapassariam 2,5 milhões de euros e chegaram a envolver o pagamento de um sinal de aproximadamente 100 mil euros, antes de serem interrompidas em razão da prisão de Antunes.

Até o momento, a Polícia Federal afirma não ter elementos que indiquem a participação de Lulinha nas negociações do projeto ou eventual condição de sócio do lobista.

As investigações também apontam que a aproximação entre Lulinha e o “Careca do INSS” teria ocorrido por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente e que mantinha contato com ambos. A empresária confirmou que apresentou os dois, durante depoimento à PF. Além da viagem internacional, os dois teriam participado de encontros em Brasília, alguns deles de caráter social.

Um dos pontos que levantou interesse da CPMI, mas que não pôde ser aprofundado com o fim dos trabalhos, foi a apuração de supostos pagamentos periódicos que teriam sido destinados por parte de Antunes ao filho do presidente Lula, condição sempre negada pela defesa de Lulinha.

Amiga de Lulinha confirmou ter apresentado ele ao Careca do INSS

A empresária Roberta Luchsinger passou a ser alvo de atenção nas investigações da Polícia Federal no suposto esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS. Amiga de Lulinha, ela foi alvo de buscas durante uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios bilionários de aposentadorias e pensões de 2019 a 2024. Segundo os investigadores, sua relação com o “Careca do INSS” é um dos pontos analisados no inquérito.

De acordo com a apuração, a PF identificou transferências que somam cerca de R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antunes para uma companhia vinculada a Roberta. Em mensagens apreendidas, o lobista teria determinado o envio de R$ 300 mil para uma empresa registrada em nome da empresária.

Em conversas por aplicativo de troca de mensagens, ao ser questionado sobre o destinatário final dos recursos, respondeu que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que levou os investigadores a apurarem uma possível referência a Lulinha.

A investigação também cita conversas nas quais Roberta teria orientado Antunes a descartar aparelhos telefônicos. Em relatórios produzidos pela PF, ela é apontada como uma peça importante em estruturas empresariais e financeiras que estariam sendo utilizadas para movimentação de recursos sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Roberta confirmou à PF ter apresentado Lulinha a Antunes antes do início das operações policiais do INSS. A ligação entre os três ganhou repercussão após a divulgação de que o filho do presidente realizou a viagem a Portugal, em 2024, com despesas custeadas pelo empresário investigado.

A defesa de Lulinha sustenta que a viagem teve caráter exclusivamente empresarial ligado ao setor de cannabis medicinal, sem qualquer participação em negociações ou vínculo societário com o projeto.

Roberta Luchsinger nega ter cometido qualquer irregularidade. A defesa afirma que ela vem sendo injustamente associada ao caso por sua amizade com Lulinha e rejeita as suspeitas levantadas pelos investigadores. Segundo a empresária, não houve prática ilícita em suas atividades. Ela afirma ainda que tem colaborado com os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.

Crédito Gazeta do Povo



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