O senador Ciro Nogueira definiu o criminalista Conrado Gontijo como novo responsável por sua defesa na investigação que apura suposta relação do parlamentar com o Banco Master. A mudança ocorre após o rompimento com o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, liderado pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
A escolha foi confirmada pelo próprio gabinete do senador para a equipe deste site. A troca ocorre quatro dias após Ciro ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Apesar da saída formal da banca de Kakay, a nova defesa seguirá ligada ao mesmo núcleo jurídico. Conrado Gontijo é afilhado de Kakay e mantém relação próxima com o ex-defensor do senador. O criminalista é formado pela USP, atua na área penal econômica e integra o grupo Prerrogativas, coletivo de advogados associado a críticas à Lava Jato e à atuação do Ministério Público. Também é professor do IDP.
Em nota, o escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados afirmou: “O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”.
Nos bastidores, aliados de Ciro afirmam que a mudança partiu do próprio senador e faz parte de uma reformulação da estratégia jurídica e política após o avanço das investigações. Interlocutores relatam que o entorno do parlamentar avaliava que o perfil de Kakay, historicamente próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderia gerar desgaste político no caso.
Segundo pessoas próximas ao senador, também havia preocupação com a relação da defesa junto ao gabinete de André Mendonça, relator do inquérito no STF e indicado à Corte pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores mencionam ainda possíveis conflitos de interesse, já que Kakay atua em defesas ligadas ao caso Master e representa o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
A investigação da Polícia Federal aponta suspeitas de que Ciro Nogueira teria recebido vantagens financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de atuação política alinhada aos interesses do Banco Master. Segundo a PF, o presidente nacional do PP é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas à instituição financeira. O senador nega irregularidades.
Entre os elementos citados pela PF está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada nos bastidores de “emenda Master”. Segundo investigadores, mensagens apreendidas indicam que o texto teria sido elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador.
Conrado Gontijo é doutor e mestre em Direito Penal pela USP, com especialização em Direito Penal Econômico pela FGV e pela Universidade Castilla-La Mancha, da Espanha. É sócio-fundador do escritório Corrêa Gontijo Advogados e tem atuação em tribunais superiores em casos de repercussão política e econômica.