Casa Nóticias Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, foi condecorado pelo Legislativo da Bahia – Paulo Figueiredo

Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, foi condecorado pelo Legislativo da Bahia – Paulo Figueiredo

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Senador Jacques Wagner (PT-BA), suspeito de ter ligação com o empresário, disse que sua relação com ele é restrita à privatização da Casa do Povo, na Bahia

O empresário Augusto Lima está entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 18. Ao mesmo tempo em que ele é ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, teria mantido ligações com o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, segundo investigações da PF.

Segundo a acusação, Wagner teria sido o intermediador de Lima na negociação para tentar fazer Ricardo Lewandowski atuar como consultor jurídico do Banco Master. Wagner também foi alvo de mandados de busca e apreensão na operação que investiga suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Master, nesta quinta-feira.

A PF também tem suspeitas de que Wagner recebeu benefícios de Lima. Uma delas se baseia em uma mensagem do enteado do senador, Eduardo Sodré Martins, em que cobra o pagamento de valores supostamente ilícitos. Wagner nega ter praticado irregularidades e diz não ter ligação com as fraudes do Master.

Lima, que foi preso e solto em novembro de 2025, voltou ao centro das investigações depois de a PF aprofundar a análise de documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos ao longo da apuração. De acordo com os investigadores, ele teria participado de movimentações destinadas a viabilizar a transferência de ativos do Banco Master, onde ele atuava, para o Banco de Brasília (BRB) quando a instituição já enfrentava uma grave deterioração financeira.

A defesa de Lima, que considerou as diligências “desnecessárias”, declarou em nota que seu cliente “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.

A trajetória financeira do empresário está, segundo a apuração da PF, diretamente ligada à cúpula do governo da Bahia. Em 2023, quando ele recebeu a Comenda 2 de Julho, a justificativa do projeto, de autoria da Assembleia Legislativa da Bahia, apresentou este apanhado geral, quando Lima já era o principal executivo do Master.

“Augusto Lima começou vendendo velas, em seguida investiu em um bloco de Carnaval e passou a vender abadás”, declarou a entidade. “Idealizador das associações que tinham como objetivo beneficiar os servidores públicos e os aposentados, criador do produto Credcesta e atualmente CEO do Banco Master, localizado em São Paulo.”

Vorcaro se interessou por consignado oferecido por empresa de Lima

Grande parte dessas reverências, porém, está sob investigação da PF neste momento. Formado em economia e vindo de uma família de classe média, Lima ingressou na área financeira em 2018.

Ele se tornou responsável pelo setor financeiro da operação que privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, que deu origem ao consignado Credcesta, na Bahia, Estado onde Lima, de 46 anos, nasceu. Na ocasião, ele venceu a licitação. Wagner diz que sua relação com Lima foi restrita à venda da Cesta do Povo.

Com o objetivo de ampliar o negócio e financiar o fundo que daria suporte à operação do Credcesta, Lima buscou capital com Valério Marega, cuja gestora (WNT) administrava fundos vinculados ao Master. Vorcaro se interessou pela carteira de crédito e incluiu o Credcesta como opção oferecida pelo Master. Tempos depois, Lima se tornou sócio de Vorcaro, obtendo 30% do Master e se tornando CEO do banco.

Depois de romper com Vorcaro, o empresário assumiu o controle do Banco Pleno, com autorização concedida pelo Banco Central em julho de 2025. O Pleno, no entanto, também foi liquidado em fevereiro. O Master havia sido liquidado em novembro. A liquidação do Pleno, segundo o BC, ocorreu em razão do comprometimento da situação econômico-financeira, da falta de liquidez e do descumprimento de normas regulatórias e determinações do próprio BC.

Entre as irregularidades das quais o Credcesta é acusado, inclusive pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estão empréstimos não reconhecidos por beneficiários; nomes duplicados em um mesmo contrato; ausência de assinatura para validação da operação; e omissão de informações sobre os juros cobrados.

Crédito Revista Oeste



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