Casa Nóticias Lula fez 62 críticas públicas a Trump desde 2023 – Paulo Figueiredo

Lula fez 62 críticas públicas a Trump desde 2023 – Paulo Figueiredo

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Presidente dos EUA citou petista 11 vezes no mesmo período

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Donald Trump em 62 ocasiões desde janeiro de 2023, superando as 11 menções do republicano ao petista desde seu retorno à presidência em janeiro de 2025. As críticas de Lula começaram em 18 de janeiro de 2023 e aumentaram em resposta ao agravamento das disputas comerciais, especialmente após o anúncio de tarifas sobre produtos brasileiros.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em pelo menos 62 ocasiões desde o início de seu terceiro mandato, em janeiro de 2023. O número supera com ampla margem as 11 menções feitas pelo republicano ao petista desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025.

A escalada coincide com o agravamento das disputas comerciais entre os dois países e a expectativa de um novo pacote de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A primeira referência negativa de Lula a Trump, segundo levantamento do portal Poder360, ocorreu em 18 de janeiro de 2023, quando o norte-americano ainda estava fora da Presidência e Joe Biden ocupava a Casa Branca. Em entrevista ao canal GloboNews, o petista afirmou: “A gente não pode voltar à anormalidade que o Trump criou nos EUA”.

O embate ganhou intensidade em 2025, quando o governo dos EUA anunciou um tarifaço sobre produtos brasileiros. Naquele ano, Lula fez ao menos 15 críticas públicas ao republicano. Em 2026, a frequência aumentou significativamente: somente nos seis primeiros meses do ano, o presidente brasileiro mencionou Trump de forma negativa em 42 oportunidades.

O ambiente diplomático voltou a se deteriorar em maio, quando o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos sugeriu uma nova tarifa adicional sobre produtos brasileiros. A decisão final cabe a Trump e deve ser anunciada nesta quarta-feira, 15.

A manifestação mais recente de Lula ocorreu na segunda-feira 13, durante comentário sobre a cobrança anunciada pelos Estados Unidos para embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. O petista classificou a medida como “pirataria”.

“Antigamente, isso se chamava pirataria. Um Estado importante como os EUA, por muito tempo, combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata”, afirmou. Lula acrescentou que “não é comum, normal, democrático” lucrar com a segurança da navegação e declarou ser “anormal ganhar dinheiro em cima da desgraça”.

Trump demorou sete meses para citar Lula

Enquanto Lula ampliava as críticas, Trump manteve distância do presidente brasileiro durante os primeiros sete meses de seu segundo mandato. Nesse período, o republicano concentrou manifestações públicas em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citar diretamente o petista.

A primeira menção direta a Lula ocorreu em 9 de julho de 2025, na carta em que anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e que foi divulgada na rede Truth Social. Trump justificou a medida pelo tratamento dispensado pelo governo brasileiro a Bolsonaro, classificando o processo enfrentado pelo ex-presidente como uma “caça às bruxas”.

Na mensagem, o republicano escreveu: “Essas tarifas podem ser modificadas, para mais ou para menos, dependendo da nossa relação com o seu país. Você nunca se decepcionará com os Estados Unidos da América”.

Dias mais tarde, Trump afirmou que conversaria com Lula em algum momento, embora tenha reiterado críticas ao governo brasileiro por, segundo ele, “fazer a coisa errada” em relação ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

A relação bilateral registrou um breve período de aproximação durante a 80ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Trump acompanhou o discurso de Lula e, ao fim da sessão, cumprimentou o presidente brasileiro com um abraço. O republicano passou a elogiar a “química” entre ambos.

Os dois presidentes conversaram por telefone em outubro de 2025 e realizaram um encontro bilateral em Kuala Lumpur, na Malásia, ainda naquele mês. Trump chegou a descrever Lula como “dinâmico”, embora as negociações para reduzir as tarifas sobre produtos brasileiros não tenham avançado. A visita do petista à Casa Branca marcou o último momento de distensão entre os líderes.

A nova deterioração ocorreu em junho deste ano. Em 17 de junho, Trump afirmou ter conversado com Lula durante a reunião do G7 e definiu a relação com o Brasil como “uma bagunça”. Também declarou que o país é “politicamente perigoso”.

A última referência pública do republicano ao presidente brasileiro foi concedida ao jornal digital Axios, em 19 de junho. “Para ser sincero, eu não penso nele. Não me importo. Mas ele é um tipo diferente de pessoa agora. Muito volátil. Eu assisti a um discurso dele. Foi muito volátil, e tudo bem”, disse.

Dois dias antes dessa declaração, Lula havia pedido que Trump não interferisse na política brasileira. “Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles, não um problema meu.”

O discurso pode ter sido o citado posteriormente por Trump ao justificar sua avaliação sobre o comportamento do presidente brasileiro. Com a expectativa de um novo aumento de tarifas contra produtos brasileiros, a relação entre Brasília e Washington volta a atravessar um período de forte desgaste diplomático e comercial.

Crédito Revista Oeste



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