O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito para que a Polícia Federal investigue o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência. A investigação busca apurar se o filho do presidente Lula (PT) atuou em favor de interesses privados junto ao Ministério da Saúde em negociações envolvendo a comercialização de medicamentos à base de cannabis medicinal.
O pedido de investigação foi apresentado pela Polícia Federal na última semana e distribuído a Mendonça, que também é relator no STF do inquérito relacionado às fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS.
Embora Lulinha tenha sido citado nesse caso por sua relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a nova investigação trata de uma linha de apuração distinta. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmadas pelo Portal Claudio Dantas.
Segundo a PF, há indícios de que Lulinha possa ter atuado para favorecer interesses da empresa World Cannabis, ligada ao lobista, em tratativas com o Ministério da Saúde. Os investigadores também apuram a possível prática dos crimes de tráfico de influência e corrupção.
As investigações apontam que o “Careca do INSS” buscava viabilizar um contrato para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal entre 2024 e 2025. O negócio, no entanto, não foi concretizado.
A Polícia Federal também investiga a atuação da empresária Roberta Luchsinger, que prestava consultoria para a World Cannabis e apresentou Lulinha ao empresário. Em depoimento, ela negou qualquer irregularidade e afirmou que nunca repassou valores ao filho do presidente.
Outro ponto sob análise é uma reunião realizada no Ministério da Saúde com a participação de Antônio Carlos Camilo Antunes. À época, o encontro ocorreu com o então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, o Berger, atualmente integrante do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
Em manifestação anterior, Berger afirmou que a reunião não teve qualquer desdobramento.
“Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política.”
A defesa de Lulinha nega qualquer prática ilícita. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a investigação não encontrou elementos que vinculassem seu cliente às fraudes no INSS e criticou a abertura do novo inquérito.
“Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave”, declarou.
A defesa também confirmou que Lulinha viajou a Portugal com Antônio Carlos Camilo Antunes, em novembro de 2024, para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de canabidiol, mas sustenta que a viagem não resultou em qualquer contrato ou parceria comercial.