O endividamento das famílias de baixa renda atingiu recorde em julho, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O recorte da pesquisa foi divulgado pelo site Valor Econômico.
De acordo com o levantamento, 84,9% das famílias com renda mensal de até três salários mínimos (R$ 4.863) estavam endividadas no mês. É o maior percentual da série para essa faixa, iniciada em maio de 2023.
O resultado marcou o quarto recorde consecutivo entre as famílias de menor renda e ficou acima da média de endividamento de todas as faixas, que chegou a 82% em julho, também o maior nível da série.
A Peic reúne entrevistas realizadas nas capitais e no Distrito Federal. A amostra mensal é formada por aproximadamente 18 mil consumidores, ou 17,8 mil famílias. Cerca de 43% das famílias pesquisadas têm renda mensal de até três salários mínimos.
A inadimplência também avançou entre os consumidores de menor renda. A parcela das famílias com renda de até três salários mínimos que tinham dívidas em atraso passou de 38,3% para 38,5% entre junho e julho. No mesmo período, a proporção das que afirmaram não ter condições de quitar os débitos subiu de 17,6% para 17,8%.
O comprometimento da renda com dívidas também aumentou nessa faixa. A parcela mensal destinada ao pagamento de débitos passou de 30,4% para 30,6% entre junho e julho.
Outro indicador apontou aumento da pressão financeira sobre as famílias de menor renda. A Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do “Indicador de Estresse Financeiro”, registrou alta de 25,6 pontos para 26,8 pontos entre junho e julho entre as famílias da faixa 1, com renda mensal de até R$ 2.100. Foi o maior nível desde março de 2026, quando o indicador havia chegado a 29,1 pontos.
A piora também apareceu na confiança do consumidor. Na faixa 1, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), indicador-síntese da Sondagem do Consumidor da FGV, caiu 10,5 pontos e chegou a 79,8 pontos. É a menor pontuação desde setembro de 2025, quando o índice estava em 77,4 pontos.
Dados da Serasa Experian apontam ainda que, entre os consumidores de menor renda, adultos de 41 a 60 anos concentram os maiores níveis de endividamento. O grupo é formado, em grande parte, por pessoas que tiveram pouco ou nenhum contato com educação financeira durante a formação escolar e que apresentam menor familiaridade com ferramentas digitais.
As apostas esportivas também aparecem entre os fatores associados ao endividamento da população de menor renda.
Crédito Cláudio Dantas