Casa Nóticias Direita deixa regiões com milhões de votos sem atuação

Direita deixa regiões com milhões de votos sem atuação

por admin
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Durante o programa ALive desta quinta-feira (27), a CEO da Martech, Yêda Matta Brandi, apontou falhas na estratégia da direita para identificar regiões com potencial eleitoral e transformar presença digital em votos. A partir de um levantamento baseado em dados, ela afirmou que candidatos do campo não estão explorando áreas com grande concentração de eleitores.

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“Quando eu olhei Minas, […] eu percebi que Minas tinha uma região que ninguém estava indo. […] E essas regiões são regiões que têm muito voto, têm mais de um milhão de votos”, declarou.

Segundo Yêda, o levantamento separou áreas já consolidadas, regiões em disputa e locais ainda sem atuação. O trabalho usa conceitos de mercado para indicar onde os candidatos deveriam concentrar esforços.

“Eu mapeei os principais estados onde essa rota não tem ainda consolidação, tem disputa e não tem ocupação, e aí eu fiz que nem prática de mercado, análise de território, análise de cluster, resumeamento de área, fazendo uma prospecção de mercado, que nem a gente vai colocar vendedor, por exemplo, para penetrar nessas áreas, eu coloquei como se fossem os candidatos tentando penetrar, para comprar ali o que seria, para chegar com o seu produto para o cliente, que esse cliente é o eleitor. Então, muitas áreas não têm nenhuma visita, não têm agenda nenhuma programada nessas visitas, e têm baixíssima atuação para levar para aquele interesse do eleitor”, explicou.

Yêda destacou o Nordeste e citou Bahia, Pernambuco e Ceará como Estados onde, segundo ela, há regiões com baixa presença de candidatos de direita.

“Bahia, Pernambuco e Ceará, que são as principais regiões, a gente percebe que, no voto, os principais políticos que estão ali não estão sabendo o que está acontecendo, se tem uma força consolidada, quem são os concorrentes que estão indo ali, que são os outros deputados de outros partidos, dá para eu crescer naquele espaço, ou eu vou ficar fazendo fotografia para botar no Instagram e para botar no Facebook, para botar no Twitter, aonde eu fui, aonde eu tenho muita gente?”, criticou.

“Isso não significa que o voto vai ser alcançado”, prosseguiu. “Eu tracei um mapa de rota, como se fosse um ‘Waze do voto’, para que o candidato queira ir ali naquela região. Tem muita região que o candidato não está pisando lá, e tem voto. Então, quando eu olho o Nordeste, por exemplo, que eu olho a Bahia, […] essa região Sul tem baixa penetração de candidatos indo lá fazendo alguma prospecção. E aí, quando eu estou falando baixa, eu estou falando do pessoal do PL, do pessoal da direita, do pessoal que está ali tentando buscar um voto”.

O mapeamento, segundo ela, foi feito em todos os Estados e apontou concentração de agendas nas capitais, com pouca presença em outras regiões.

“Eu fiz esse mapeamento para todos os estados, eu não fiz só para o Nordeste, eu fiz para todos os estados, e não tem ação [em muitas partes de muitos]. Então, tem pouca visita, tem palco só nas grandes capitais. Quando a gente vai no Ceará, o palco está sendo feito em cima só da agenda do Ciro [Gomes]. Por exemplo, o André [Fernandes] está fazendo um palco só na capital, e a Agenda do Ciro está sendo feita com consequência para outras regiões”, exemplificou.

Na Bahia, Yêda afirmou ter encontrado uma diferença entre a atuação da esquerda e da direita: “A Bahia tem muita situação que ninguém foi lá ainda, com agendas que ninguém foi lá. Onde tem agenda forte na Bahia? Com o pessoal da esquerda, do PT. Eles estão indo em várias regiões. […] Do PL, não vi nenhuma”.

Para a CEO, os candidatos também precisam considerar a mudança constante da preferência do eleitor e usar dados para definir onde concentrar as agendas: “Eu percebo que ou eles não estão usando os dados para tomar a decisão, para saber, traçar sua rota, olhar se essa região tem território para se conquistar, ou eles já consideram conquistados. Mas hoje, no mundo digital, esses votos são móveis. Hoje ele pode estar conquistado, mas amanhã ele não está”.

“O voto é móvel, não é mais aquele voto estático. Esse eleitor muda drasticamente com uma visita ou com uma ação”, continuou.

“Então a gente está faltando aí 30 e poucos dias para uma eleição e o mapa do voto pode ser uma forma para esses candidatos se organizarem nesses últimos 30 dias, montar uma frente de sair colocando esses candidatos que estão na região para buscar voto, porque por 1% a gente perde uma eleição”, completou Yêda.

Diferença entre PT e PL

Yêda também comparou as estratégias eleitorais do PT e do PL. Segundo ela, o PT começa pela atuação presencial e depois amplia o alcance no ambiente digital: “Hoje a campanha do PT e a campanha do PL, eles atuam de forma completamente diferente, o PT trabalha do físico para o digital, então isso que você falou agora é, o PT sabe ir nas regiões mais pobres, fala com esse público mais pobre, depois que ele engaja esse público”.

“Ele vai lá, coloca o vereador, coloca os deputados, coloca a sua tropa toda, inclusive isso é a estratégia da campanha. […] eles fazem de fora para dentro”, continuou na explicação.

No caso do PL, a avaliação é de que a campanha parte das redes sociais, mas ainda utiliza pouco a inteligência de dados para definir os territórios prioritários: “O PL já faz o inverso, ele está fazendo de dentro para fora, então ele está fazendo do virtual para o digital, só que o virtual, que está sendo feito muito hoje dentro do PL, é feito em cima de mídias sociais e não de inteligência de dados, as mídias sociais não representam especificamente que o eleitor vai votar nesse candidato, porque senão, um candidato com 20, 30 milhões de votos de seguidores, teria 20, 30 milhões de votos, e isso não acontece”.

“Geralmente, numa mídia social, você tem um para cada cinco, então se você tem 20 milhões, você tem aproximadamente 4 milhões de pessoas que estão dentro da sua região, do seu nicho, da sua área, que pode se transformar em voto, e aí a taxa de transformar é um para três”, completou.

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