A Europa Filmes adiou para depois das eleições de 2026 o lançamento de “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produção chegou a ser considerada para uma estreia em setembro, antes do primeiro turno.
A mudança ocorre enquanto o financiamento do longa é alvo de questionamentos e investigações. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, aparece no centro das controvérsias após a divulgação de mensagens nas quais negocia recursos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para bancar a produção.
As mensagens indicam que R$ 61 milhões teriam sido repassados para o projeto. Flávio chegou a afirmar que pediria uma prestação de contas detalhada sobre os recursos utilizados no filme, mas a documentação completa sobre o financiamento ainda não foi divulgada publicamente.
A distribuidora informou que o senador e seus aliados não participam das decisões comerciais relacionadas ao longa. A negociação para a distribuição ocorre diretamente com a Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra.
Investigação sobre o filme
O adiamento ocorre em meio a novas medidas relacionadas às apurações sobre “Dark Horse”.
Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação envolvendo a Go Up Entertainment. O material poderá ser utilizado em apuração sobre a destinação de emendas parlamentares e outros recursos relacionados ao filme.
A produtora apresentou à Polícia Civil uma perícia privada contratada pela defesa de sua proprietária, Karina Ferreira da Gama. O documento estimou em R$ 75,2 milhões os gastos com a produção e afirmou não ter identificado recursos públicos provenientes de contratos, emendas parlamentares ou da Lei Rouanet.
O laudo, porém, foi elaborado com base em documentos fornecidos pela própria empresa e não teve acesso aos dados do fundo utilizado para financiar o longa.
Registro na Ancine
“Dark Horse” já possui Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas ainda não conta com o Certificado de Registro de Título (CRT), necessário para a exploração comercial do filme no Brasil.
A solicitação do certificado deverá ocorrer após a definição da estratégia de lançamento e da data de estreia.
As controvérsias sobre o financiamento da produção ganharam força em maio, após a divulgação das mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo as informações reveladas à época, foram negociados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Parte dos recursos teria passado por uma empresa ligada a Vorcaro e pelo fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos. A origem e a destinação do dinheiro passaram a ser analisadas pelas autoridades.
A Polícia Federal também abriu uma apuração para verificar se recursos relacionados ao filme teriam sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. Até o momento, não há conclusão que confirme essa hipótese.