O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação da candidatura à reeleição do deputado estadual Renato Machado (PT-RJ), acusando-o de exercer a liderança política de uma organização criminosa com atuação em Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo a representação, o grupo teria ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP) e atuaria na exploração de atividades ilegais no município.
A ação, apresentada em agosto, aponta Machado como “líder do núcleo político e mentor intelectual” da estrutura investigada. O comando operacional do grupo seria exercido por Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como Rodrigo Negão, descrito pelo MPE como principal aliado e “braço armado” do deputado.
De acordo com o Ministério Público, a organização reuniria características de milícia e tráfico de drogas. Entre as atividades atribuídas ao grupo estão a exploração clandestina de internet e televisão por assinatura, o comércio ilegal de cigarros e o tráfico de entorpecentes.
A representação afirma ainda que a estrutura manteria atuação armada em diferentes áreas de Maricá e seria utilizada para garantir domínio territorial, ampliar a influência do grupo e intimidar ou eliminar adversários.
Assassinato de jornalista
Entre os episódios citados pelo MPE está o assassinato do jornalista Robson Giorno, morto em Maricá em 2019.
Renato Machado chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como suposto mandante do homicídio. Segundo a investigação, a motivação estaria relacionada a reportagens publicadas por Giorno quando Machado ainda era vereador do município.
A Justiça, porém, decidiu que não havia elementos suficientes para levar o deputado a julgamento pelo crime.
Em nota, a defesa de Machado afirmou que ele foi “impronunciado”, decisão que, segundo o deputado, encerrou a acusação por falta de elementos mínimos que justificassem sua participação no homicídio. A defesa também acusa o MPE de utilizar informações de um inquérito policial que, posteriormente, não foram validadas pelo Ministério Público estadual nem pelo Judiciário.
Suspeita de esquema na SOMAR
A representação eleitoral também cita a passagem de Machado pela presidência da SOMAR, autarquia responsável por obras em Maricá. Segundo o MPE, teria existido no período um esquema de cobrança de 20% de propina sobre contratos de obras públicas.
Para o Ministério Público, os recursos teriam contribuído para o crescimento patrimonial do deputado e ajudado a sustentar a estrutura política associada ao grupo investigado.
Outro ponto levantado na ação é o financiamento da campanha de Machado em 2022. Dos 34 doadores registrados, 19 eram servidores da Prefeitura de Maricá e 17 deles tinham vínculo com a SOMAR.
O MPE afirma que algumas contribuições representavam parcela relevante da renda mensal dos servidores e vê o padrão como possível indício de coação, repasse de recursos ou “rachadinha” para financiar o projeto político.
A declaração de bens apresentada por Machado à Justiça Eleitoral para a eleição de 2026 registra patrimônio de aproximadamente R$ 1,3 milhão, incluindo terrenos e imóveis em Maricá e Niterói.
O Ministério Público sustenta que a análise da candidatura deve considerar não apenas eventual condenação criminal, mas também a possibilidade de organizações criminosas utilizarem estruturas econômicas, territoriais e políticas para influenciar o processo eleitoral.
O pedido de impugnação ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. Machado nega as acusações apresentadas pelo Ministério Público.