O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça informou nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, que mantém em seu gabinete apenas uma cópia de segurança dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo ele, o material foi entregue pela Polícia Federal (PF) em um HD criptografado, dentro de um envelope lacrado, e permanece “intocado até o presente momento”.
A manifestação foi apresentada após o ministro Cristiano Zanin pedir acesso à íntegra dos dados do aparelho para subsidiar a análise do relatório da PF que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro em mensagens. O documento será analisado pelo plenário do STF na próxima terça-feira (15).
Mendonça esclareceu que o aparelho original não está sob guarda de seu gabinete. Segundo o ministro, ao assumir a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master, em fevereiro, determinou que a custódia do material apreendido permanecesse nos depósitos da própria PF, conforme o procedimento regular da corporação.
Em março, porém, a PF entregou ao gabinete uma cópia de segurança dos dados extraídos do celular. O material foi acondicionado em um HD criptografado e entregue em envelope lacrado.
“A referida cópia de segurança permanece lacrada e intocada até o presente momento”, afirmou Mendonça na manifestação encaminhada a Fachin.
Zanin pediu íntegra dos dados
Zanin solicitou nesta sexta-feira que os dados completos extraídos do iPhone 17 Pro de Vorcaro fossem disponibilizados para análise. O ministro argumentou que o acesso ao conteúdo permitiria uma avaliação mais completa do relatório policial que cita conversas entre o ex-banqueiro e um número atribuído a Moraes.
O pedido ocorre às vésperas da sessão extraordinária marcada para terça-feira, quando o STF deverá analisar o relatório da PF e outros procedimentos relacionados ao caso.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, já se manifestou pela anulação do relatório que cita Moraes. A avaliação da PGR é de que Mendonça não poderia ter determinado, individualmente, a elaboração do documento.
Sigilo do caso Master
A manifestação de Mendonça ocorre no mesmo dia em que Fachin determinou a ampliação da publicidade das investigações relacionadas ao Banco Master. O presidente do STF deu prazo de 24 horas para que Mendonça retire o sigilo dos procedimentos, ressalvando informações cuja divulgação possa comprometer diligências em andamento.
O caso envolve a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas à atuação de Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A análise dos dados dos aparelhos apreendidos tornou-se um dos pontos centrais da disputa entre os ministros do Supremo.
O julgamento de terça-feira ocorre em meio à escalada da crise institucional envolvendo Mendonça, Moraes, a Polícia Federal e a própria Presidência do STF. A Corte também discute decisões conflitantes tomadas nos últimos dias sobre a atuação da PF e a produção de relatórios de inteligência.