O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga possíveis irregularidades em um contrato de R$ 42,9 milhões para a compra de insulina humana pelo Ministério da Saúde. A apuração, iniciada em outubro de 2026, envolve a empresa Biomm S/A e examina suspeitas de favorecimento na definição de preços e na condução de um pregão eletrônico.
O processo tem como relator o ministro Augusto Nardes e tramita sob sigilo. A investigação começou após uma denúncia anônima baseada em registros internos do Ministério da Saúde, segundo a Gazeta do Povo.
Um dos pontos analisados é o aumento de 52% no preço de referência do medicamento em apenas nove dias, após uma tentativa anterior de compra não ter avançado. O TCU apura se a mudança beneficiou a Biomm, que tem ligação societária com o empresário Daniel Vorcaro.
Biomm desistiu do contrato e depois voltou atrás
A apuração envolve o Pregão Eletrônico 90011/2024. Segundo a reportagem, a Biomm foi a única empresa a participar da nova disputa. Após vencer, a companhia desistiu do negócio, alegando que o fabricante indiano não havia garantido os prazos de entrega.
Servidores do ministério teriam solicitado a aplicação de sanções administrativas à empresa. No entanto, a fornecedora recebeu autorização para voltar atrás na desistência e manter o contrato.
O TCU busca esclarecer as razões para a reabertura do procedimento e verificar se as decisões administrativas foram devidamente justificadas e seguiram as regras da licitação.
Mensagens de Vorcaro citam integrantes do governo
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro também fazem parte do contexto da investigação. Entre os nomes mencionados estão o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, sócio da Biomm, e Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
De acordo com a reportagem, as conversas mencionam jantares e reuniões com integrantes do governo. Uma das mensagens atribui a Mares Guia a afirmação de que um indicado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) era aliado do grupo.
O TCU apura se houve influência indevida ou acesso privilegiado a informações relacionadas à contratação. As mensagens, por si só, não comprovam a ocorrência de irregularidades ou tráfico de influência.
Empresa nega irregularidades
A Biomm afirmou que não havia sido notificada pelo TCU e declarou que participa de licitações em conformidade com a legislação e as regras de transparência. A empresa também sustentou que seus atos são públicos e fundamentados.
Segundo a Gazeta do Povo, Alexandre Padilha e Olavo Noleto não haviam se manifestado sobre as suspeitas específicas envolvendo a licitação e o jantar mencionado nas mensagens.
A Secretaria de Comunicação da Presidência confirmou um encontro institucional entre o presidente Lula e Vorcaro. Segundo a pasta, nenhum assunto privilegiado foi tratado na reunião.