PORTO PRÍNCIPE, Haiti (AP) – Supostos membros de gangues abriram fogo contra jornalistas na capital do Haiti na terça-feira enquanto cobriam a tentativa de reabertura do maior hospital do país, de acordo com uma estação de rádio local.
A Rádio Télé Métronome disse que sete jornalistas e dois policiais ficaram feridos. A polícia não respondeu imediatamente às ligações.
As gangues de rua assumiram o controle de cerca de 80% de Porto Príncipe. Forçaram o encerramento do Hospital Geral no início deste ano durante a violência que também atingiu o principal aeroporto internacional e as duas maiores prisões do Haiti.
As autoridades se comprometeram a reabrir as instalações na terça-feira. Mas enquanto os jornalistas se reuniam para cobrir o evento, supostos membros de gangues abriram fogo.
Um vídeo postado online mostrou repórteres dentro do prédio e pelo menos três caídos no chão, aparentemente feridos. O vídeo não pôde ser verificado imediatamente.
Johnson “Izo” André, considerado o líder de gangue mais poderoso do Haiti e parte de uma coalizão de gangues conhecida como Viv Ansanm que assumiu o controle de grande parte de Porto Príncipe, postou um vídeo nas redes sociais reivindicando a responsabilidade pelo ataque.
O vídeo dizia que a coalizão de gangues não havia autorizado a reabertura do hospital.
O ex-primeiro-ministro Garry Conille visitou o Hospital da Universidade Estadual do Haiti, mais conhecido como Hospital Geral, em julho, depois que as autoridades recuperaram o controle das gangues.
O hospital ficou devastado e cheio de escombros. Paredes e prédios próximos estavam cheios de buracos de bala, sinalizando brigas entre policiais e gangues. O hospital fica em frente ao palácio nacional, palco de diversas batalhas nos últimos meses.
Os ataques de gangues levaram o sistema de saúde do Haiti à beira do colapso, saqueando, provocando incêndios e destruindo instituições médicas e farmácias na capital. A violência criou um aumento no número de pacientes e uma escassez de recursos para tratá-los.
O sistema de saúde do Haiti enfrenta desafios adicionais decorrentes da estação chuvosa, o que provavelmente aumentará o risco de doenças transmitidas pela água. As más condições nos campos e assentamentos improvisados aumentaram o risco de doenças como a cólera, com mais de 84 mil casos suspeitos no país, segundo a UNICEF.
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